quinta-feira, 24 de maio de 2018

Embarcação naufragada do século XIX é encontrada...


Fotos: Divulgação/Ascom FPI-SE

Publicado originalmente no site do Cinform, em 23 de maio de 2018

Embarcação naufragada do século XIX é encontrada no rio São Francisco

Por Julia Freitas 

A equipe de mergulhadores da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) localizou os restos do naufrágio de uma canoa de tolda, provavelmente de meados do século XIX, e fragmentos de cerâmica de vários períodos históricos na terra indígena Xokó, em Porto da Folha.

“Viemos investigar pois desde a última FPI recolhemos relatos de que aqui havia um naufrágio, inclusive porque peças haviam sido retiradas do fundo do rio”, explica o arqueólogo e membro da equipe de mergulhadores da FPI Gilson Rambelli.

Segundo o arqueólogo Paulo Bava, muitas cerâmicas encontradas foram feitas pelos indígenas, mas para serem comercializadas. O arqueólogo considera os achados importantes para entender as modificações na produção cerâmica ao longo da história. “São peças que caíram ou foram jogadas no rio. Também existe a possibilidade de o rio ter mudado de curso e coberto ocupações ribeirinhas”, acrescenta Leandro Duran.

O Cacique Bá, da tribo Xokó, acompanhou os trabalhos dos arqueólogos na terra indígena e comentou a importância e a felicidade dos achados. “Essas descobertas são muito importantes para o nosso povo, pois só vieram enriquecer o nosso passado e a nossa história, já que são uma prova de que nossos antepassados viveram aqui”, enfatizou.

Texto e imagens reproduzidos do site: cinform.com.br

domingo, 20 de maio de 2018

Seu Juremo, figura folclórica de Porto da Folha


Publicado originalmente no site FAN F1, em 19/05/2018

Neto leva trio pé de serra a sepultamento para prestar última homenagem a avô

Por Célia Silva

Seu Juremo era figura folclórica de Porto da Folha, município no sertão sergipano, distante a 190 km de Aracaju. Foi dono do primeiro cabaré da cidade e era “doido” por forró. Não perdia um sequer, e dizia que era o melhor forrozeiro da região. Nascido no povoado Mocambo, comunidade quilombola em Porto da Folha, morreu aos 81 anos na quinta-feira, 17, vítima de AVC. Foi velado em casa, como manda a tradição no interior sergipano, com rezas e rituais católicos, mas no meio do cortejo fúnebre, na manhã da sexta, 18, a caminho do cemitério paroquial, o fole roncou do jeito que seu Juremo gostava.

“Foi uma surpresa. Ninguém esperava. O caixão, ao despontar na praça Matriz, o fole roncou e o trio pé de serra começou a tocar. Tocou por uma hora. O caixão foi posto embaixo da tenda armada, as pessoas dançaram e depois, o trio fez o cortejo, entrou no cemitério e tocou até o sepultamento. Foi muito bonito, porque era o que seu Juremo gostava. Foi uma forma que o neto encontrou para homenageá-lo “, contou ao Fan F1 o professor de Língua Portuguesa da rede estadual de Porto da Folha e estudioso das tradições do município, José Ailton Braga. O neto a qual ele se refere é Salmo Lucas, conhecido como Salminho. 

Seu Juremo não perdia um forró, nem um concurso de forró. E dizia que ganhava todos! E na maioria das vezes ganhava, não só pela maestria nos passos, mas também pela irreverência e popularidade na cidade. “Era uma pessoa muito popular”, disse o professor, e muitas vezes conquistava o título porque era muito extrovertido.

Primeiro cabaré – Além de irreverente e bem humorado, seu Juremo era boêmio. Na década de 80, criou o primeiro cabaré da cidade. Era na localidade Lagoa Salgada. O bordel fez sucesso na região, mas logo ele se apaixonou por uma moça que lavava roupas para a burguesia de Porto da Folha.

Dona Lila era moça de respeito. Casou-se, fechou o bordel e com ela teve cinco filhos. Mas a boêmia parece que estava no sangue de seu Juremo, e dona Lila, já falecida, não aguentou as farras e do marido e se separaram.

Vieram mais duas mulheres e outros 15 filhos – seu Juremo morreu jurando que teve 23 filhos e não os 20 que a família alega que ele tem. Os outros três, que ninguém nunca viu, morariam, segundo seu Juremo, em Alagoas.

O último filho de seu Juremo tem 12 anos, fruto do relacionamento com dona Luzinete, a esposa com quem ficou casado até os últimos dias de sua vida.

Cismado – Boêmio, irreverente, extrovertido, popular e cismado, como um bom sertanejo. O professor Ailton conta que seu Juremo, para complementar a renda de servidor público municipal aposentado (ele foi durante muitos anos, motorista de ambulância) vendia arroz-doce e sopa preparados por dona Luzinete num carrinho de mão pelas ruas da cidade. “As pessoas já conheciam ele, aí tiravam uma brincadeira, dizendo que estava doce ou salgado demais. Ele não gostava e cismava”, disse.

Seu Juremo morreu em casa, cercado da família. Foi sepultado ao som da música que gostava e com a alegria que sempre lhe acompanhou. Era amigo das ex-mulheres e os 20 filhos, todos eles, segundo o professor Ailton, se respeitam e se consideram irmãos. Deixou o legado de que da vida se leva a alegria e que “com mulher direita, mulher séria e de respeito, não se deve mexer nunca”, era o que ele sempre dizia, falou o professor.


Texto, imagem e vídeo reproduzidos dos sites: fanf1.com.br  e youtube.com