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segunda-feira, 12 de maio de 2025

Grupo sergipano Imbuaça

‘Mar de fitas’- Grupo sergipano Imbuaça,
 o coletivo de Teatro de Rua mais antigo do Brasil...
Foto reproduzida do site: infonet com br

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Grupo Imbuaça emociona público na Pça. Gal. Valadão, em Aracaju















 Lindolfo Amaral

 Presidente da Funcaju, Cássio Murilo

 Juliane Santos

 Mércia de Morais


Fotos: Edinah Mary

Publicado originalmente no site da PMA, em 18/12/18

Grupo Imbuaça emociona público na praça General Valadão durante o Natal é Cultura da Funcaju

Encenação, interpretação, dança e música. Quem passou pela praça General Valadão na noite desta terça-feira, 18, pode conferir de perto o espetáculo ‘Tá caindo fulô: auto do Deus menino’, do grupo teatral sergipano Imbuaça. A apresentação foi alusiva às festividades natalinas da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju).  

“Essa peça do Imbuaça é muito importante para que possamos relembrar essa tradição ocidental cristã e também a nossa identidade, o nosso sotaque com as brincadeiras populares, os brincantes. Tudo isso com um texto erudito. É isso que nós esperamos, um natal cultural, um natal que recupera as nossas origens”, pontuou o presidente da Funcaju, Cássio Murilo.

O “Natal é Cultura” da Funcaju foi aprovado pela população. “Lindo e emocionante demais. Pela segunda vez assisto esse espetáculo do Imbuaça e sempre me emociono. Esse período natalino nos deixa mais emotivo e essa apresentação cheia de encanto e beleza ajuda”, brincou a dona de casa Juliane Santos.

Para a orientadora educacional, Mércia de Morais, é gratificante ter uma apresentação tão bem montada na praça General Valadão, em frente ao Centro Cultural de Aracaju. “Eu achei belíssimo e digno esse teatro enorme a céu aberto. Ter isso aqui pertinho da gente, no centro da cidade, dando acesso a todos, é maravilhoso”, comentou.

A peça

Conduzida por uma cigana (personagem emprestada do reisado), a estrutura narrativa do espetáculo pontuou, de forma lúdica e poética, momentos marcantes da história cristã, desde as profecias do Antigo Testamento à natividade descrita pelo Novo Testamento.

O ‘Tá caindo fulô: auto do Deus menino’ e sua dramaturgia respeitou, quase que fielmente o texto bíblico, já a encenação o recoloca num universo brincante da cultura popular sergipana, nordestina, brasileira. A produção executiva foi realizada por Lindolfo Amaral e Manoel Cerqueira com dramaturgia e direção geral de Iradilson Bispo.

Para Lindolfo Amaral, é gratificante estar na programação natalina da Funcaju. “Esse espetáculo tem o maior tempo no nosso repertório e fazer teatro de rua é muito importante. Trazer para se apresentar com essa multidão em plena praça pública é muito gratificante. Esse diálogo, essa comunhão com o nosso povo é importante para a permanência do grupo Imbuaça nessa história”, celebrou.

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Resistência: grupo Imbuaça celebra 41 anos...

Grupo Imbuaça - 41 anos (Foto: Acervo Imbuaça)

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 28 de agosto de 2018

Resistência: grupo Imbuaça celebra 41 anos de genuína cultura popular

Por Victor Siqueira

Há 41 anos, um dos principais grupos de teatro de Sergipe surgia. No dia 28 de agosto de 1977, a equipe que mais tarde viria a se chamar ‘Imbuaça’ surgia em Aracaju, inspirando e entretendo as pessoas em espetáculos adaptados da literatura de cordel. Nos dias de hoje, o grupo compreende sua situação como resistência e luta, mediante dificuldades de todos os níveis para manter viva a cultura popular.

Mesmo depois do início, o que marcou os jovens atores foi uma apresentação do Teatro Livre da Bahia, durante o Festival de Artes de São Cristóvão. A partir dali foi que houve uma determinação das características que marcariam diversas gerações da cultura popular sergipana. “Na época, o pessoal pensou: ‘é isso que a gente quer ser’. Foi essa a inspiração. Queriam fazer um teatro na rua, trabalhando cultura popular, pegando e devolvendo ao povo em forma de teatro. A gente transitou por diversos gêneros, mas procuramos nunca perder a questão popular. Se não estiver no texto, estará na indumentária, no figurino. O que delineia melhor a nossa identidade é isso”, contou Manoel Cerqueira, secretário e membro há 15 anos.

O Imbuaça começou a ser conhecido como ‘Aspektro’, mas houve a percepção de que o nome não ‘casava’ com a proposta. Baseados na morte de um espectador assíduo conhecido como Mané Imbuaça, tocador de pandeiro, os membros decidiram homenageá-lo e rebatizaram o grupo. “A gente sabia que tinha que mudar. O nome não tinha nada a ver”.

Grupo é famoso por apresentações populares de rua em todo o país
Foto: Acerto Imbuaça

O grupo já realizou espetáculos em todos os estados do Brasil e também em outros países nos anos 80, como México, Portugal, Cuba e Equador. O passado glorioso para os artistas, porém, já não existe mais, e hoje o trabalho esbarra em inúmeras dificuldades. “Nosso trabalho é mantido graças às vendas dos nossos espetáculos. O que tem salvado nossa situação são os editais públicos, que são lançados pela Fundação Nacional da Arte (Funarte), vinculado ao Ministério da Cultura e beneficiam grupos. Fora isso, a gente se inscreve em festivais fora do Sergipe e fica tentando. É o que garante nossa sobrevivência. Aqui no Estado tentamos vender o espetáculo para empresas que promovem esses eventos e prefeituras municipais que fazem eventos de caráter cultural. Isso, porém, não nos dá estabilidade. A crise reduziu os editais. Por incrível que pareça, nos apresentamos mais em outros estados do que em Sergipe”, lamentou Cerqueira.

Manoel Cerqueira contou história, dificuldades e expectativas do Imbuaça 
Foto: Portal Infonet

Recentemente, o Imbuaça foi contemplado, por meio de um edital da Funarte, com um novo sistema de iluminação cênica. O material anterior era amador e fruto de doações. Hoje, o grupo é composto por cerca de dez colaboradores, entre atores e técnicos. O único remanescente da formação original é Lindolfo Amaral, que hoje, além de atuar, ministra oficinais anuais de teatro junto com Manoel.

Antes de ocupar a atual sede, onde ficam depositados os materiais, acontecem as oficinas e ocorrem boa parte dos ensaios e apresentações. Até a ocupação do local, funcionou no prédio da rua Muribeca, nº4, no bairro Santo Antônio, uma escola da rede municipal até que foi desativada. A apropriação do então espaço abandonado aconteceu no ano de 1991. “Ainda foi sede da Associação das Margaridas, e aí ficou fechado. Depois, o então prefeito de Aracaju, Wellington Paixão, nos cedeu em regime de comodato. Estamos aqui até hoje. Antigamente, quem nos abrigava era o DCE da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que ficava na rua Campus”, explicou Manoel.

Grupo de teatro completa 41 anos nesta terça-feira, 28 
Foto: Acervo Imbuaça

O que endossa o firme trabalho é o último trabalho realizado, a ‘Peleja de Leandro na Trilha de Cordel’, que canta a história de Leandro Gomes de Barros, considerado por estudiosos o precursor da literatura de cordel. Ainda que precisando lidar com todas as dificuldades para se manter, Manoel não acredita que o Imbuaça perdeu o brilho, mas também espera por dias melhores. “É só entender que é tudo o tempo, o contexto. Todo fato, se você contextualiza, se entende melhor. O Imbuaça teve altos e baixos. Na década de 70, foi um grupo, e depois mudando. Sempre buscamos dialogar com as novidades. No início era todo mundo muito jovem, estudante universitário, não tinham grandes compromissos… era todo mundo abnegado. Éramos novidade, agora estamos só nos renovando. A questão é que nós desejamos que em Sergipe os órgãos que respondem pela cultura criem editais para que os artistas, de forma geral, de todos os segmentos e linguagens possam concorrer de forma limpa e democrática, que criem uma lei de incentivo para nos ajudar e que exista uma política mais séria. Não é que o Estado tenha que ser paternalista com os artistas, mas precisa de editais e que haja políticas culturais sérias”.

Comemoração

Mesmo diante dos problemas, há muito que comemorar. A celebração desta terça-feira, 28, começa com a inauguração da luz cenográfica doada pela Funarte, na sede do Imbuaça, às 20h, com o espetáculo ‘Mar de Fitas, Nau de Ilusões’, de concepção e direção de Iradilson Bispo. Na oportunidade, serão recebidas crianças de uma escolas da rede pública da Barra dos Coqueiros. A entrada é franca.

No dia 31, haverá uma nova apresentação às 17h na Aldeia Sesc, na praça Fausto Cardoso. De 3 a 5 de setembro, às 20h, acontecerão apresentações de exercício cênico dos alunos das oficinas de teatro.

Sede do Imbuaça fica situada na rua Muribeca, nº4, no bairro Santo Antônio
Foto: Portal Infonet

Formações

A formação inicial do grupo, no primeiro espetáculo ‘Teatro Chamado Cordel’ era composta por Antônio Amaral, Cícero Alberto, Francisco Carlos, José Amaral, Lindolfo Amaral, Maria das Dores e Maurelina Santos. Com o passar do tempo, teve também outros grandes nomes como Valdice Teles, Pierre Feitosa, Isabel Santos, Fernando Fernandes, Izete Souza, Rivaldino Santos e Tetê Nahas.

Atualmente, fazem parte Carlos Wilker, Humberto Barreto, Iradilson Bispo, Lidhiane Lima, Lindolfo Amaral, Manoel Cerqueira, Priscila Capricce, Rosi Moura, Rogers Nascimento, Sandy Soares e Talita Calixto.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Grupo Imbuaça dá continuidade a apresentações na praça









Fotos: Pritty Reis/ Ascom Secult

Publicado originalmente no site da SECULT. em 26 de abril de 2018

Grupo Imbuaça dá continuidade a apresentações na praça

Grupo sergipano interpretou sua mais nova montagem na Praça Fausto Cardoso

Sob as palmas do povo e o clima agradável da tarde da última quarta-feira, 25, o Grupo Imbuaça apresentou sua mais recente peça que comemora os 40 anos de existência da Companhia. O espaço delimitado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult) para a realização do IV Festival Sergipano de Artes Cênicas, na Praça Fausto Cardoso, ficou lotado de amantes do teatro que foram assistir ao espetáculo “Mar de Fitas, Nau de Ilusão”.

Além de celebrar a quarta década, a peça também foi criada em prol de celebrar e reafirmar a crença na cultura popular e na arte pública. Nela, mestres, dramaturgos, personagens, diretores e brincantes são relembrados em forma de canto e dança, desvelando toda a trajetória do primeiro trabalho do grupo até os dias atuais.

Iradilson Bispo dirige e atua na peça que congratula a história de um dos mais antigos grupos de teatros de rua em atividade no Brasil. “Apresentar esta peça no Festival de Artes Cênicas é de extrema importância pra gente, já que normalmente não temos tantas oportunidades ao longo do ano. Nesta oportunidade, rememoramos toda a trajetória do Imbuaça, incluindo canções de outros espetáculos que realizamos”, salientou.

Dagoberto Machado é gaúcho, mas mora em Sergipe a cerca de 10 anos. Pela primeira vez levou o filho para acompanhar o teatro de rua. “Não conhecia o grupo, mas ouvia falar muito bem. Adorei a peça, que promoveu uma série de sentimentos bons em quem estava assistindo. Sempre que eu posso, tento compartilhar com meu filho, todas essas representatividades culturais que aqui existem, e nisso o teatro de rua está incluso”, ressaltou.

Sobre o Festival

O IV Festival Sergipano de Artes Cênicas é uma realização do Governo de Sergipe através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), que reúne apresentações diversas em mais de um mês de atividade. Todas as atividades são gratuitas, viabilizadas pelo Fundo de Desenvolvimento Cultural e Artístico (Funcart) e aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura, e contam com o apoio da Impacto Comunicação Digital, Fundação Aperipê e Bipolar Operações Artísticas. A programação completa e mais informações podem ser acompanhadas pelo site www.cultura.se.gov.br e pelas redes sociais da Secult.

Texto e imagens reproduzidos do site: cultura.se.gov.br

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Apresentação no dia 31/10/2017, do Grupo Imbuaça, 40 anos







Pascoal Maynard gravando apresentação do Grupo Imbuaça, com o espetáculo
 "Mar de fitas, Nau de Ilusão" em comemoração aos 40 anos do grupo.
Fotos reproduzidas do Facebook/Pascoal Maynard.

domingo, 3 de setembro de 2017

Grupo Imbuaça comemora 36 anos de teatro (hoje 40 anos)


Fotos: Divulgação.

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 19/08/2013. 

Grupo Imbuaça comemora 36 anos de teatro (hoje 40 anos).

Por Osmário Santos.

Fundado oficialmente no dia 27 de agosto de 1977, o Grupo Imbuaça comemora 36 anos (hoje 40 anos) de conquistas, muito trabalho e muita luta para a sua sobrevivência, em vista que é preciso lutar muito para fazer teatro de rua no Brasil, é o que revela o ator e fundador do grupo, Lindolfo Amaral.

Lindolfo informa que o Imbuaça conseguiu se manter ao longo desse tempo, através de uma luta cotidiana, um verdadeiro ato de resistência, respeitando as suas raízes, respeitando a proposta dos companheiros que fundaram o grupo, ou seja: trabalhar a cultura popular em todos os seus aspectos e utilizar a literatura de cordel como dramaturgia.

A história do grupo começa diante da realização em Aracaju de três oficinas de teatro ministradas por professores pernambucanos. “Professor Lúcio Lombardi, que por muitos anos foi diretor do espetáculo em Nova Jerusalém da Paixão de Cristo, veio a Aracaju em julho de 1977 e deu uma oficina de direção. Gilson Oliveira, de interpretação e José Francisco, oficina de corpo. A vinda dos três atores para Aracaju foi através do Serviço Nacional do Teatro, em convênio com a Secretaria de Estado da Educação, que na época tinha como assessor de cultura o jornalista Luiz Antônio Barreto”, explica.

De acordo com Amaral não havia naquela época nenhuma estrutura nem federal, estadual e municipal. “Aliás, a administração cultural neste País é muito recente. Só tem 23 anos. Em 1985 foi criado o Ministério da Cultura. Em Aracaju, ainda este ano, foi criada a Fundação Cultural do Estado de Sergipe que teve Fernando Lins como seu primeiro presidente”, complementa.

Lindolfo diz que hoje em Aracaju, além do grupo Imbuaça que oferece oficina de teatro, o grupo liderado por Lindemberg, Stultifera Navis, também faz oficina. “Muita gente participa dessas oficinas. Hoje, tem grupos novos que surgiram de oficinas a exemplo do Grupo Boca de Cena, fruto de um curso que o Imbuaça realizou na Rua Muribeca”, revela.

Amaral acrescenta que hoje existem na faixa de 23 grupos teatrais atuando em Sergipe, uma significativa fase no nosso teatro, que em tempo algum despertou tamanho interesse pelo teatro sergipano. “Acredito que várias pessoas são responsáveis por essa conquista, a exemplo de Luís Carlos D’ Santi que está em Estância e lá desenvolveu um núcleo de trabalho que passa pelo Imbuaça. Em Lagarto, Angélica, Assuele, Ivilmar, falecido no ano passado em acidente automobilístico. Em Santo Amaro das Brotas, Tarcio que criou o Grupo Pernas de Pau. Em Maruim tem o grupo de Dio Costa - o Bombassa. Ou seja, pessoas que participaram de grupos de teatro em Aracaju, voltaram para o interior e montaram seus grupos. Essa quantidade de grupos, a gente nunca teve no interior”, diz com entusiasmo.

Sungundo Lindolfo Amaral atualmente, não se têm Lei Estadual de Incentivo à Cultura e Lei Municipal de Incentivo à Cultura. “Aliás, a lei municipal existe, mas não funciona desde 1999. Quando o PT assumiu a prefeitura de Aracaju, não colocou em prática essa lei. Ou seja: são 13 anos sem a Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Política pública não se faz só com eventos. Política pública se faz com ações cotidianas. Com cursos, oficinas, estudos, um trabalho de projeção, intercâmbio do que é produzido, apresentação e também de eventos”, pontua.

O motivo do nome

“Imbuaça é uma homenagem que a gente faz a Mané Embuaça, que morava na Rua Santa Luzia, esquina com Campos. Ele era um embolador. Tirava versos com o pandeiro. Mas ele foi assassinado em fevereiro de 1978 na Atalaia. Então o grupo resolveu homenageá-lo”, explica.

Componentes

Lindolfo destaca Antônio Amaral e José Amaral, Francisco Carlos que trabalha na comunicação da Petrobras, Virgínia Lúcia que continua trabalhando com teatro. Cícero Alberto que continua no teatro com o seu grupo Imagem, Pierre Feitosa, um grande nome. Maurelina, pesquisadora da cultura popular, Maria das Dores já aposentada.

“Eu entrei no Imbuaça em janeiro de 1978, seis meses depois que o grupo foi fundado. Depois veio Valdice que faleceu. Mariano que faleceu em acidente de automóvel, Isabel que está no Imbuaça há 32 anos e daí outras pessoas foram entrando, como Fernandes, Paulo Roberto, o finado Douglas”, diz o fundador do Imbuaça.

Para Lindolfo Amaral, os dois primeiros anos do grupo foram de dificuldade diante das discussões e dos debates políticos entre os componentes do grupo. “A gente fazia parte do movimento estudantil e trazia a discussão para dentro do grupo. Assim o grupo terminou conhecendo um outro grupo de rua, o Teatro Livre da Bahia, coordenado pelo João Augusto e Benvindo Siqueira, que deram aulas em Aracaju de teatro de rua, em um curso promovido pela  Sociedade de Cultura Artística de Sergipe. Daí Antônio Amaral participou dessa oficina e levou a ideia para o Imbuaça. Foi a partir daí que começou, em 1978, oficialmente o teatro de rua Imbuaça com a literatura de cordel”, detalha.

Apresentações

A primeira apresentação do Imbuaça aconteceu na Praça Nossa Senhora de Lourdes no Bairro Siqueira Campos em um dia de domingo, após a missa.

“Saímos do mercado na Rua Carlos Correia seguindo até a praça. Quem tocava a zabumba era o José Amaral, Antonio Amaral tocava triângulo, a gente cantando e ainda tinha o estandarte que desde o início já tinha aquele pandeiro. A ideia do estandarte partiu de Francisco Carlos e vem da idade medieval – das cruzadas”, relembra enfático.

As dificuldades

Lindolfo pontua que a maior dificuldade atualmente é o de manutenção e financeiro. No início cada componente tirava do seu salário um percentual para uma caixinha. Além da caixinha, existia horário de chegada e quem chegasse após as 14h, não participava dos trabalhos do grupo.

“Um belo dia eu mesmo cheguei de moto junto com o Mariano com atraso de uma hora, por causa do trânsito. A porta já estava fechada e não entramos. Por causa da disciplina, o Imbuaça era tido como um grupo militar. Essa exigência levamos até para o espetáculo. Sempre o espetáculo é iniciado no horário marcado”, completa.

Sede

Por muitos anos o Imbuaça fez uso da sede do DCE da UFS e assim funcionou na Ruas Campos, Santa Luzia, Itabaiana, Praça Camerino. O DCE alugava a casa e o grupo utilizava um quarto.

Amaral afirma que por um tempo o Imbuaça ficava no porão do Cultart. Em seguida alugou uma casa na Avenida Hermes Fontes, depois uma outra casa na Rua São João e, por fim, ocupou a Escola Municipal Abdias Bezerra, na Rua Muribeca, que na época estava abandonada. Essa ocupação aconteceu em julho de 1991 e até hoje o grupo de teatro lá permanece. 
Houve uma invasão na escola e o Imbuaça enviou ao então prefeito de Aracaju, Wellington Paixão, uma solicitação para que fosse encaminhado um pedido de contrato de comodata para a Câmara Municipal. O prefeito encaminhou e foi aprovado por unanimidade pelos vereadores, por 20 anos. “Inclusive, já solicitamos ao prefeito João Alves a prorrogação”.

De acordo com Amaral, o espaço está todo reformado com recursos do Imbuaça. “Acreditamos que o prefeito dará continuidade. O nosso espaço tornou-se uma referência não só para Aracaju, mas para todo o Brasil. Basta dizer que neste final de semana, 17 e 19 de agosto, vamos receber uma equipe de pesquisadores de São Paulo que irá fazer um documentário sobre o Imbuaça, chamado ‘Teatro e sua circunstância, onde o Imbuaça aparece’. Em uma de suas últimas entrevistas, Mariano falou que ninguém vai escrever a história do teatro brasileiro sem dedicar uma página ao grupo Imbuaça”, descreve.

O Grupo Imbuaça já apresentou 26 espetáculos e sua maior dificuldade é a financeira. “Não podemos negar que nos últimos anos os editais do Ministério da Cultura via Funart têm propiciado a continuidade dos trabalhos do Imbuaça. “No Projeto Comunitário já passamos por vários patrocinadores. Banespa durante um ano, Criança Esperança por um ano, Ministério da Cultura no Ponto de Cultura durante dois anos e o Banese já ajudou por um determinado período. Hoje, infelizmente, não temos patrocinadores”, finaliza Lindolfo Amaral.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

Grupo Imbuaça 40 anos


Fotos: Ascom/Secult.

Publicado originalmente no site Expressão Sergipana, em 22 de agosto de 2017.

Grupo Imbuaça celebrará 40 anos de atividades. 

Ao longo desse tempo o Imbuaça montou trinta espetáculos, participou de quase todos os festivais de teatro do país, circulou por todas as regiões brasileiras e representou o Brasil em festivais nos países, Portugal, Equador, Cuba e México

De Redação.

No próximo dia 28 de agosto o Grupo Imbuaça irá celebrar 40 anos de atividades artísticas. Esse fato é raro na história do teatro brasileiro: um grupo permanecer atuante ao longo de tantos anos é muito difícil, devido as adversidades enfrentadas para manutenção das suas ações, principalmente quando se trata de um trabalho de teatro de rua, cuja pesquisa de linguagem é fundamentada nas manifestações populares.

O nome é uma homenagem ao embolador Mané Imbuaça, que residia na Rua Santa Luzia, com a Rua Campos. Ele frequentava a sede do Diretório Central dos Estudantes da UFS, localizada próxima a sua residência, onde também acontecia os ensaios do grupo. Com o seu falecimento, em fevereiro de 1978, os integrantes que já vinham pesquisando a cultura popular, resolveram homenagear um artista que conheceram durante os ensaios no DCE, cujo perfil estava relacionado as perspectivas de trabalho dos atores.

Ao longo desse tempo o Imbuaça montou trinta espetáculos, participou de quase todos os festivais de teatro do país, circulou por todas as regiões brasileiras e representou o Brasil em festivais nos países, Portugal, Equador, Cuba e México. É um dos grupos mais antigos em atividade continua no teatro de rua do país e tornou-se conhecido pelo seu trabalho inspirado nas danças dramáticas de Sergipe e na Literatura de Cordel, que é a base para construção da dramaturgia em grande parte de seus espetáculos.

O primeiro espetáculo “Teatro chamado Cordel”, cuja estreia ocorreu na Praça Nossa Senhora de Lourdes, no bairro Siqueira Campos, em 1978, foi composto pelos textos “O marido que passou o cadeado na boca da mulher”, folheto de Cuica de Santo Amaro, adaptado por João Augusto; e “O matuto com o balaio de maxixi”, folheto de José Pacheco, adaptado por Antônio do Amaral. A direção foi de José Amaral e os figurinos de Francisco Carlos. O elenco composto dos atores: Antonio do Amaral, Cicero Alberto, Francisco Carlos, José Amaral, Lindolfo Amaral, Maria da Dores, Maurelina, Pierre Feitosa e Virgínia Lúcia.

Desde o início que o Imbuaça se preocupa em ocupar espaços públicos abertos, propiciando o acesso do público de forma democrática e direta, numa relação horizontal.

Para celebrar essa data tão importante o Imbuaça elaborou uma vasta programação. Dias 24 e 25 de agosto, às 16 horas na Praça Fausto Cardoso, o grupo vai apresentar os espetáculos, “A farsa dos opostos”e “A peleja de Leandro na trilha do Cordel”, respectivamente. No dia 28 de agosto, às 20 horas, no Teatro Tobias Barreto haverá à apresentação do espetáculo “Jeová”. Todos os espetáculos serão abertos ao público gratuitamente.

O grupo nunca teve patrocinador para manter as suas atividades cotidianas. Até 2015 vinha conquistando editais públicos para montagem e circulação de espetáculos. Com a mudança na esfera federal, as políticas públicas para a área da cultura foram drasticamente afetadas, e os editais deixaram de existir.

É lamentável que o poder público não reconheça a importância de um grupo cujo trabalho só tem contribuído com engrandecimento e com a imagem de Sergipe. Por outro lado o Imbuaça passou a ser um centro de formação de atores, realizando cursos e oficinas anualmente, em sua sede localizada na Rua Muribeca, 4 – bairro Santo Antonio. Centenas de jovens estudantes, professores e pesquisadores já estiveram por lá, desfrutando das atividades gratuitamente. Num entanto, não conta com nenhum apoio para essas ações que são importantes para a comunidade, pois quanto mais arte, menos violência na sociedade.

O grupo é formado pelos atores Carlos Wilker, Iradilson Bispo, Jonathan Rodrigues, Lidhiane Lima, Lindolfo Amaral, Manoel Cerqueira, Priscila Caprice, Rosi Moura, Sandy Soares e Talita Carlixto. Na cenotécnica Rogers Nascimento e na operação do som Cristiano Andrade (Negão).

Texto e imagens reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br