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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

As riquezas do Convento São Francisco

















Alexnaldo Santos, membro da Ordem Franciscana Secular e funcionário da Arquidiocese
Fotos: Heitor Xavier

Publicado originalmente no site da Prefeitura de São Cristóvão, em 01/11/2019

As riquezas do Convento São Francisco

O município de São Cristóvão é conhecido nacionalmente por possuir um Patrimônio Mundial concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Chancelada em 2010, a Praça São Francisco compreende edifícios públicos e privados que representam o testemunho do período durante o qual as coroas de Portugal e Espanha estiveram unidas, sendo o principal deles o complexo da Igreja e Convento de São Francisco.

O conjunto arquitetônico conhecido como Convento São Francisco compreende a igreja, o convento e a ordem terceira, que hoje abriga o Museu de Arte Sacra. A construção do convento foi decidida em 1657, época da chegada dos Frades Franciscanos em São Cristóvão. O Superior da Ordem era frei Luiz do Rosário, um frade franciscano português. Em 1659, foi construída a Igreja e o recolhimento dos Franciscanos. Já em 1693, foi lançada a primeira pedra do Convento, porém, o Conjunto só foi concluído na segunda metade do século XVIII, devido à pobreza da Ordem Franciscana e da sociedade da época.

“Os frades mendigavam para construir a igreja. Eles pediam pelos engenhos, às pessoas que tinham mais condições na época para construir os altares, então além de ter um valor material, também existe um valor sentimental, porque os frades mesmo que construíram os altares, com ajuda dos jesuítas e da população que também contribuiu para isso, além do trabalho escravo que teve uma forte participação na construção desses locais. Em frente a igreja e ao convento temos o Cruzeiro, que foi erguido em 1658 e é o símbolo da missão”, explicou Alexnaldo Santos, membro da Ordem Franciscana Secular e funcionário da Arquidiocese.

 A igreja é uma das mais ricas em detalhes dentre todas do município. Do piso ao teto, sua beleza encanta os visitantes e fiéis que passam pelo local. Logo quando adentramos ao espaço, é possível verificar a presença dos arcos. O espaço entre a igreja e a praça servia no período para que as pessoas pudessem conversar antes de entrarem nas celebrações religiosas. No meio da edificação, um altar de São Benedito dá boa vinda aos visitantes, enquanto mais a frente, nos lados direito e esquerdo, respectivamente, se destacam as imagens de Santo Antônio e de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da igreja.

Os altares são moldados com ouro, enquanto no teto, a pintura original de São Francisco de Assis retirando Jesus Cristo da cruz também chama atenção. “Esta imagem representa um sonho que São Francisco teve, onde ele ajudava Jesus em seu sofrimento. Essa é a única pintura que relata a presença franciscana dentro da igreja”, detalhou Alexnaldo. Outra imagem de São Francisco também se faz presente na parte externa da edificação. Diferente das demais, o santo está com um crânio nas mãos. Segundo a crença católica, a imagem representa a “irmã morte”. Ela também é original.

Apesar de manter algumas características originais, ao longo dos anos, a estrutura da igreja passou por intervenções. Os pisos hoje não são mais os mesmos de sua fundação, para substituí-los, foram colocados réplicas. A torre original da Igreja foi demolida em 1844, quando apresentou grandes fendas comprometendo a estrutura.

Convento

Na parte do convento, a arquitetura chama a atenção. O local possui um Claustro em cantaria, cujo trabalho artístico é considerado único em conventos Franciscanos no Brasil. Assim também o sistema de sustentação em pilares verticais isolados e não em colunas, que é singular no nordeste.

O espaço já foi sede para a Tesouraria Geral, Assembleia Provincial, Biblioteca, Enfermaria e Correio Geral. Permaneceu abandonado por muitos anos, tendo servido como quartel de tropas do batalhão da Guerra de Canudos. A partir de 1980 o Convento passou a funcionar como sede de reuniões de caráter religioso e técnico, e atualmente é um dos mais buscados em Sergipe para receber retiros e encontros católicos.

Após tantos anos de fundação, o Convento e a Igreja continuam recebendo uma tradição secular. Todas as terças-feiras há quase 400 anos é realizada uma missa e a bênção de São Francisco, que reúne dezenas de fiéis semanalmente no templo religioso.

Museu

À esquerda do convento, está a antiga Capela da Ordem Terceira de São Francisco, que hoje é sede do Museu de Arte Sacra. Ele é sendo um dos mais importantes do Brasil, nesse tipo de acervo, e abriga obras que vão do século XVII ao XX. Nos dois pisos do prédio, os visitantes podem contemplar altares em madeira e ouro, imagens articuladas, móveis, artefatos antigos e a Capela do Convento (aberta somente em datas religiosas específicas).

Ao todo, o museu, dispõe de mais de 500 peças catalogadas, todas elas que já estavam no estado de Sergipe.

Funcionamento

O Complexo Franciscano é um exemplo da arquitetura típica dessa ordem religiosa desenvolvida no Nordeste brasileiro. Os espaços funcionam de terça a sábado (das 10h às 16h) e nos domingos e feriados (das 9h às 13h).

Texto e imagens reproduzidos do site: saocristovao.se.gov.br

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Conheça a história da paróquia mais antiga de Sergipe





















Izabella Lima de Oliveira, monitora

Miguel Medrado, aluno do IFAL

 Luiz Alexsandro de Assis, sacristão

Diretora de turismo da Fundact, Fabiana Almeida
Fotos: Heitor Xavier
  
Publicado originalmente no site da PREFEITURA DE S. CRISTÓVÃO, em 25/10/2019

Igrejas da Cidade Mãe: conheça a história da paróquia mais antiga de Sergipe

Quem visita a quarta cidade mais antiga do país geralmente possui um roteiro já definido sobre os pontos turísticos que São Cristóvão tem em seu entorno. Repleto de edificações construídas a partir de 1590, o Centro Histórico do município traz consigo uma gama de opções para os amantes da arquitetura e da história do Brasil, dentre elas a Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória (considerada a mais antiga do estado). Localizada na Praça da Matriz e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN), a igreja possui 411 anos de história, e foi construída em Sergipe Del Rey pelos padres jesuítas, sendo conhecida pelo imponente estilo barroco. Cada objeto, imagem, pintura e ladrilhos contidos nela contam algo aos visitantes, pesquisadores, comunidade e fiéis que frequentam o espaço.

A história conta que, nos idos de 1608, a igreja foi elevada como Matriz pelo quarto Bispo da Bahia, Dom Constantino Barradas, no pontificado do Papa Paulo V. À época, Portugal e Espanha estiveram unidos sob uma única coroa, o que conhecemos como União Ibérica, e era comandado por Felipe II. Esta fusão das influências dos dois países contribuíram para a formação de núcleos urbanos coloniais na cidade (originando estruturas como a própria igreja). No ano de 1637, São Cristóvão foi invadida pelos holandeses. Nesta disputa do território, o rei Felipe II prometeu que se vencesse a batalha, colocaria uma imagem de Nossa Senhora da Vitória na igreja. Em 1645, os holandeses foram finalmente expulsos da região, e São Cristóvão ficou, em grande parte, destruída.

Assim como a cidade, a Igreja Nossa Senhora da Vitória foi sendo, aos poucos, revitalizada, passando por uma série de interferências, como detalha o sacristão Luiz Alexsandro de Assis. “A religiosidade do nosso estado nasceu aqui. Com o tempo, e por conta dos danos causados durante a guerra, a igreja precisou passar por algumas modificações. Ela possuía dois altares nas laterais, um degrau no meio da igreja que dividia a classe pobre e os negros dos ricos, e as tribunas eram ocupadas pelos senhores e senhoras que possuíam mais dinheiro”, contou.

Antes mesmo de adentrar à paróquia, o visitante já se encanta com sua estrutura externa. Ela dispõe de duas torres bem proporcionadas, guarnecida por azulejos brancos, encimadas por galo português e um crucifixo em sua parte central. Sua pintura que traz a cor branca e destaques amarelados também chama a atenção, sem falar em suas imensas portas e janelas que são realçadas por conta do forte tom azul.

Ao entrar no local, o visitante logo percebe a presença da imagem de São Cristóvão no ponto mais alto da estrutura. No altar principal, Nossa Senhora da Vitória ocupa o centro, enquanto o Sagrado Coração de Jesus e outra imagem de São Cristóvão a acompanham dos lados direito e esquerdo, respectivamente. Ocupando a parte superior do altar, o Jesus crucificado. Nos altares laterais, a imagem de São Miguel se destaca do lado esquerdo, enquanto do lado direito Nossa Senhora da Piedade é presente.

Esta última imagem, segundo o sacristão, pertencia ao monumento do Cristo Redentor, localizado nas proximidades da entrada do Centro Histórico. “Essa é uma imagem feita de terracota, que é o mesmo material utilizado na imagem de Nossa Senhora Aparecida, então é uma argila difícil de ser encontrada”, explicou Luiz Alexsandro. A igreja ainda conta com duas capelas: uma dedicada ao santíssimo do lado esquerdo e no direito uma com a imagem de João Paulo II. Já na sacristia, ficam localizadas as imagens do Cristo Ressuscitado e a de São Sebastião.

Boa parte da decoração dos altares e retábulos da paróquia são feitos com folha de ouro, costumeiramente utilizada nessas estruturas que remetem ao período barroco. Já a parte dos ladrilhos e da madeira do altar resistiram a invasão dos holandeses. Na parte dos altares, uma curiosidade: neles estão localizados os túmulos de pessoas "mais favorecidas" à época, que acreditavam que quanto mais próximas estivessem do altar, mais perto estariam de Deus. 

Visitantes

De acordo com o sacristão, cerca de 200 visitantes costumam passar mensalmente no local, sem contar os fiéis, que utilizam o espaço quase que diariamente. “Nós temos alguns períodos em que recebemos mais pessoas, como a data de mudança da capital, férias das escolas, o Novenário de Nossa Senhora da Vitória, e agora tivemos muitas vistas com a canonização de Irmã Dulce”, relatou.

Pessoas de todo o país costumam passar para conhecer as belezas e a história da igreja mais antiga de Sergipe. Recentemente o espaço recebeu a visita dos estudantes do Instituto Federal de Alagoas, Campus Arapiraca, que ainda não conheciam a cidade de São Cristóvão. “Para mim é uma coisa emocionante passar por aqui, porque sou cristão e a igreja é linda, toda sua estrutura me encantou muito, me chamou a atenção e emocionou”, pontuou o aluno Miguel Medrado.

Portas abertas

Para que o espaço esteja propício para receber os visitantes, a Prefeitura de São Cristóvão por meio da Fundação de Cultura e Turismo João Bebe-Água (Fundact), realizou a contratação de monitores capacitados que estão atuando não só na Igreja Matriz, mas também em outras quatro igrejas e museus do município. Conforme a diretora de turismo de São Cristóvão, Fabiana Almeida, a medida se deu para que, além de manter os espaços em pleno funcionamento, os visitantes também fossem bem recebidos e informados sobre a história dos locais. A intenção segundo ela é colocar futuramente guias turísticos pelos locais do Centro Histórico.

“Nossa base cultural, histórica e religiosa são os museus e as igrejas. Sempre foi uma grande necessidade a captação de turistas porque as pessoas chegavam à cidade e as igrejas estavam fechadas. Na nossa visão é necessário que todos esses atrativos estejam funcionando porque é isso que atrai os nossos turistas. São Cristóvão é primeira capital de Sergipe, a quarta cidade mais antiga do país, e temos o Patrimônio da Humanidade (Praça São Francisco), mas tudo isso em torno de igrejas e museus. Já temos percebido a mudança e a satisfação dos visitantes que vinham a estes locais antes e os encontravam fechados. Agora já tem alguém para recebê-los”, falou a diretora de turismo.

Uma destas monitoras é Izabella Lima de Oliveira, que atua na Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória. Segundo ela, essa tem sido uma boa experiência. “Nós passamos por uma capacitação para aprender um pouco sobre a história da paróquia e também realizei pesquisas para ter mais conhecimento sobre o espaço. Moro aqui em São Cristóvão, e tenho interesse em me graduar em História, então tem sido uma experiência muito boa”, afirmou.

Funcionamento

A Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória está aberta à visitação de terça a sábado, das 9h às 16h, e no domingo das 9h às 13h. Já as missas ocorrem nas quintas e sábados sempre 19h, e nos domingos e feriados às 9h e 13h.

Texto e imagens reproduzidos do site: saocristovao.se.gov.br