terça-feira, 9 de abril de 2019

A procissão do Fogaréu em São Cristóvão


Fotos reproduzidas do jornaldodiase.com.br e postadas pelo blog, 
para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 5 de abril de 2019

A procissão do Fogaréu em São Cristóvão
Por Ivan Valença (Blog Infonet)

No próximo dia 18, quinta-feira Santa, uma das mais tradicionais celebrações culturais e religiosas de Sergipe acontece no município de São Cristóvão. A Procissão do Fogaréu, festa que é marcada por procissões e encenações, contará este ano com a participação de 300 homens que percorrerão o Centro Histórico da cidade retratando atos da vida de Cristo. Este ano, a celebração terá início às 21h, após a Missa do Lava-Pés, que acontecerá as 18h, na Igreja Matriz N. Sra. da Vitória, Assim como no ano passado, todas as encenações acontecerão na Praça São Francisco. São retratados momentos como a entrada de Jesus em Jerusalém, a Última Ceia, os Apóstolos, a traição de Judas, encerrando com a perseguição a Cristo e condenação. Os ensaios da preparação da procissão estão ocorrendo nas segundas, quartas e sextas-feiras as 19h30, na praça São Francisco. O Fogaréu é uma encenação ao ar livre onde todos os homens que compõem o grupo possuem uma função, sendo elas: 70 soldados, 110 escribas e fariseus, 55 matracas, 46 quadros e lanternas, além de outros figurantes que totalizam quase 300 pessoas. Em todo este tempo, a Procissão do Fogaréu sofreu uma paralisação. Foi em 1963 e a retomada da procissão só ocorreu em 1978 e desde então a mobilização popular não deixa o evento cair no esquecimento. Este ano vai se repetir a estrutura de três palcos montados na praça São Francisco com som profissional além de iluminação e apoio logístico no trajeto. A iluminação da cidade será inteiramente desligada quando da procissão para dar a sensação dos tempos em que não havia energia elétrica.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Rampa no Mercado Municipal de Aracaju

Foto: André Moreira
Reproduzida do site: jornaldacidade.net

Aracaju é destaque em revista digital especializada em turismo

 Foto: Publicação da Viagem e Turismo

 Palácio Museu Olímpio Campos (César de Oliveira/Acervo SECOM)

 Mercado Antônio Franco (Edinah Mary/Acervo Funcaju/EMSETUR

 Mercado Maria Virgínia Leite Franco (Wellington Barreto/Acervo Emsetur)

 Lagos artificiais na Orla da Atalaia (Rubem Porto Jr/Flickr)

Areia da praia da Atalaia (André Moreira/Acervo Funcaju)

Publicado originalmente no site da PMA, em 04/04/2019 


Aracaju é destaque em revista digital especializada em turismo

Classificar Aracaju como uma “pequena notável” foi um carinhoso paradoxo que a publicação da revista Viagem e Turismo encontrou para definir a grandeza dos atrativos que a capital sergipana oferece, em uma sugestão de roteiro de dois dias para quem visita a cidade, uma espécie de trilha da felicidade.   

O tour narrativo tem início com a história e constituição de Aracaju; de sua fundação, aos atrativos, como a Orla da Atalaia. “A orla é a síntese da qualidade de vida proporcionada pela cidade, com quadras, parquinhos, ciclovias e até feirinhas de artesanato ao longo de seus 4 quilômetros”, cita a revista, elogiando ainda a qualidade da rede hoteleira instalada no local.

A água do mar é diferenciada em relação a outras capitais do Nordeste como Maceió e Fortaleza. “O mar de Aracaju é turvo, graças ao encontro de águas salgadas com a foz dos rios. Isso não impede que o turista se delicie com bons banhos ou que relaxe na areia branca e fina das praias”, compara.

Na gastronomia, pratos com peixes e frutos do mar, sobretudo os caranguejos, são ofertados aos “montes” nos restaurantes e bares, diz a revista. “Mas é na carne de sol com pirão de leite que se concentra a força gastronômica local”, opina a publicação.

A matéria segue enumerando locais para visitação como os Arcos da Orla da Atalaia, as estátuas de personagens da história que formam a identidade nacional brasileira, o caranguejo gigante na entrada da Passarela do Caranguejo, o Oceanário de Aracaju, o Farol da Marinha, na Coroa do Meio, o Museu da Gente Sergipana, a literatura de cordel, caracterizada como “ponto forte da cultura sergipana”, os mercados, a Orla Pôr do Sol Cleomar Brandi, definida como “cenário deslumbrante, com diversos barquinhos flutuando sob as águas, junto à foz do rio Vaza-Barris”, e, por fim, ao entardecer, “tomar uma água de coco na praia da Aruana e relaxar na atmosfera tranquila proporcionada por ela”.

A matéria é encerrada com um convite inapelável ao leitor que deseja visitar um local com belos atrativos e de bom acolhimento. “Ao final da viagem, você com certeza, vai ser acometido pela mesma sensação boa que me acompanhou: a de ser bem acolhido e de se sentir importante”, resume a Viagem e Turismo.

Sobre a revista

Viagem e Turismo é uma revista brasileira de turismo, publicada de forma impressa até agosto do ano passado, quando a Editora Abril decidiu fechar a publicação, passando a oferecer seu conteúdo em forma digital, obtendo média de mais de um milhão de acessos mensais, segundo números da SimiliarWeb, plataforma que fornece serviços em Web analytics, mIndústria, Comércio e Turismo

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Lago no Parque da Sementeira, em Aracaju

Foto: André Moreira
Reproduzida do site: jornaldacidade.net

Artesãs de renda irlandesa querem assumir o protagonismo...


Publicado originalmente no site do Portal Fan F1, em 29/03/2019 

Artesãs de renda irlandesa querem assumir o protagonismo da arte secular

Por Célia Silva

A renda irlandesa de Divina Pastora (SE) é patrimônio cultural do Brasil reconhecido pelo Iphan e conhecida mundialmente. Peças exclusivas produzidas por rendeiras de Sergipe já vestiram modelos na Europa e figuraram em vitrines fashions do país levadas por mãos de atravessadores. Agora, as rendeiras querem assumir o protagonismo do negócio e uma rede de apoio formada pelo Iphan, Sebrae, e outros órgãos está se formando, tendo as artesãs à frente, para a retomada do desenvolvimento dessa arte única e secular transmitida de geração a geração.

CCBA fica na cidade de Luanda, em Angola. Foto: CCBA

E a oportunidade mais recente para as artesãs se tornarem peças principais na cadeia produtiva deste artesanato sofisticado veio do continente africano. No final do ano passado, a Casa de Cultura Brasil-Angola (CCBA), em Luanda, na Angola, convidou as rendeiras para uma exposição exclusiva.

“Não temos dinheiro, vamos precisar de patrocínio, mas já estamos produzindo”, disse a presidente da Associação das Rendeiras de Divina Pastora, Maria José Souza. “Já temos o patrocínio”, assegurou a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional em Sergipe (Iphan-SE), Katarina Aragão, uma entusiasta da causa.

Trabalho delicado e significativo

Yérsia Souza faz doutorado em Luanda e sugeriu a mostra.
 Foto: pessoal

A ideia da exposição surgiu da antropóloga Yérsia Souza de Assis, que está em Luanda fazendo doutorado em antropologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Fiz algumas atividades na CCBA e sugeri uma exposição da renda irlandesa de Divina Pastora, que é patrimônio cultural. Disse que é uma tradição passada de geração a geração”, explicou a doutoranda. No dia que sugeriu, ela usava uma blusa de renda irlandesa, que chamou a atenção da diretora da Casa de Cultura.

A diretora da CCBA é brasileira, mora em Angola há quatro anos e disse que não conhecia a renda irlandesa. “Foi uma surpresa conhecer um trabalho tão delicado e significativo”, exclamou Nídia Klein.

Ela explicou que a ideia é realizar a mostra no final do ano, na capital da Angola. O objetivo, segundo Klein, é mostrar ao povo angolano e aos estrangeiros que vivem nesse país da costa ocidental do continente africano a diversidade da cultura brasileira por meio da renda irlandesa.

Mas, há dificuldades a serem superadas, diz Klein. Segundo ela, o país é cheio de particularidades e há detalhes a serem respeitados e bastante alinhavados até a ideia ser concretizada. “Luanda é a cidade mais cara do mundo e isso é um dos entraves que podem se tornar ponto de dificuldade para exibirmos o trabalho que elas realizam”, ressaltou.

Freiras missionárias ensinaram a arte

Maria José, presidente da Associação das Rendeiras de Divina Pastora. 
Foto: Fan F1

Mas, as rendeiras são mestras no saber da arte de fazer a renda e de superar desafios. “Vamos levar 80 peças, entre toalhas, blusas, vestidos, saias e acessórios”, afirmou Maria José com muita determinação enquanto tecia uma das peças que irão compor o acervo da mostra.

A renda irlandesa chegou em Sergipe pelas mãos de freiras missionárias europeias na época dos grandes engenhos de açúcar, no Período Colonial. As religiosas ensinaram a arte às damas da região e do antigo povoado Ladeira (hoje Divina Pastora).

Em meados do século XX, a técnica se fortaleceu entre as mulheres pobres, possibilitando outras formas de ganhos econômicos além do trabalho nos canaviais. Foi assim com a bisavó e avó de Maria José rendeiras de “mão cheia” de Divina Pastora. “Minha mãe aprendeu com elas e eu aprendi com minha mãe” conta a atual presidente da Associação para Desenvolvimento da Renda Irlandesa de Divina Pastora de Sergipe (ASDRIDP-SE).

Artesanato de luxo e sofisticação

Toalhas de mesa, colchas são peças de enxoval confeccionadas por mãos talentosas em Sergipe. Foto: Sebrae

As grandes peças em renda irlandesa são caras. As colchas de cama chegam a custar R$ 6 mil, as toalhas de mesa, R$ 3 mil e uma blusa ou saia é vendida em média por R$ 600.  “A renda irlandesa é uma renda de agulha que tem como base o lacê, o que deixa a peça encorpada, com brilho e com um caimento firme, com mais volume e com muita sofisticação. É uma renda original e cara e de grande potencial para a moda. O trabalho é minucioso, que gasta metros e metros de fio, com técnica exclusiva”, explica a designer de moda, Bruna Marques.

Nalva, de Laranjeiras, já fez um blazer para 
a ex-presidente Dilma. 
Foto: Fan F1

Maria de Fátima Menezes, de Divina Pastora, fez um vestido para uma noiva que se casou na Bélgica e Ednalva Batista dos Santos, mestra rendeira do polo da cidade de Laranjeiras, fez o blazer que a então prefeita do município, Ione Sobral, deu de presente à ex-presidente Dilma, em passagem por Sergipe.

Mas, nos últimos anos as artesãs repensaram as peças para se ajustarem ao mercado em crise. Produzem as tradicionais colchas, vestidos, blusas e coletes, mas principalmente pequenos acessórios. “Fazemos brincos, colares, porta-moedas e até marcadores de livros”, disseram Katiane e Adenir, rendeiras da cidade de Maruim num dia de exposição num evento do Iphan em Aracaju.

Rede de apoio à renda

Katarina Aragão: Estamos traçando uma grande 
rede para formação de renda. 
Foto Fan F1

Uma grande rede de apoio vem sendo formada para salvaguardar a renda irlandesa de Sergipe pensar intervenções para retomar as vendas das grandes peças que no final da década de 90 cresceram exponencialmente pelas mãos de atravessadores. “As rendeiras estão saindo de uma época de muita exploração por parte de atravessadores para assumir o lugar de donas de um saber único e do próprio negócio”, afirmou a superintendente do Iphan.

Katarina Aragão entende que as rendeiras hoje se reconhecem o quanto foram exploradas e passam agora a querer se apropriar de seus negócios. Mas ela ressalta que para isso é preciso o esforço grande de uma rede de apoio para instrumentalizá-las e devolver-lhes a autoestima. “Elas precisam se identificar como únicas detentoras desse saber, que é o saber-fazer da renda irlandesa. Neste momento estamos traçando uma grande rede de políticas de intervenções de trabalho, cursos de moda, enfim, tecendo uma grande rede para gerar renda”, disse.

O Comitê Gestor da Salvaguarda da Renda que está sendo criado é formado pelo Iphan, Museu da Gente Sergipana, Sebrae, Sesc/Senac, prefeituras dos polos das rendas e pelas rendeiras.

Núcleos reúnem mestras para transmitir o saber

“Já estamos produzindo”, dizem as rendeiras de Divina Pastora.
 Foto: Fan F1

Em outubro do ano passado, 10 máquinas trançadeiras adquiridas pelo Iphan, por meio das ações do Comitê de Salvaguarda, foram entregues às rendeiras de Divina Pastora e demais núcleos de Sergipe. As máquinas começaram a funcionar efetivamente no início deste ano, após as mulheres aprenderem a usá-las na fabricação do lacê, matéria-prima da renda. As trançadeiras além de baratear os custos das peças irão dar independência à produção.

Os polos de renda irlandesa estão nas cidades de Laranjeiras, a 20 km da capital, Maruim, 30km, e no povoado Estiva, em Nossa Senhora do Socorro, a 13km de Aracaju. O Iphan caracteriza como polo os locais onde há transmissão de saber entre as mestras. Não há indicação do número de rendeiras em cada um desses locais.

O comitê gestor e a exposição em Luanda são as ações mais recentes de salvaguarda e de divulgação da renda, mas passos anteriores já vinham sendo dados. A Associação de Renda Irlandesa de Divina Pastora foi criada em 2000 para dar autonomia às rendeiras da pequena cidade referência da renda irlandesa em Sergipe. Foi um grande passo em busca do protagonismo, lembra a analista do Sebrae, Vânia Alzira Rodrigues Santos que acompanha as conquistas e dificuldades das mestras rendeiras há pelo menos 20 anos.

Em 2013, por meio do Sebrae, a renda irlandesa de Divina Pastora recebeu o Selo de Indicação Geográfica (IG), concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A certificação garante a procedência e qualidade do produto e agrega valor e credibilidade ao artesanato.

Desafios a vencer

Bruna Marques, designer de moda, diz que é preciso aguçar a perspectiva estética.
 Foto: Fan F1

Exploração, falta de instrumentalização e autoestima são grandes desafios que na opinião da professora e designer de moda se somam à necessidade de capacitação. “É preciso aguçar a perspectiva estética dessas artesãs e evitar que extraiam delas a essência, o saber-fazer”, disse.

Bruna Marques acrescentou que as rendeiras precisam dominar o conhecimento de modelagem, “porque aí, sim, essas mulheres serão protagonistas do trabalho delas, por terem domínio da técnica de uma arte única”, destacou.

Por outro lado, Vânia Alzira garante que o Sebrae aplica cursos há bastante tempo, não na área de moda, mas de empreendedorismo, de qualificação de produtos, precificação entre outros e que o grande entrave é o escoamento do produto. “Eu vejo que o grande gargalo é a comercialização e uma boa divulgação”, assinalou.

Sem representatividade na capital

“Precisamos de representatividade na capital. Nós queremos expor no lugar certo e vender nossa arte”, disse Maria José, ao apelar por um ponto de venda específico para a renda irlandesa em Aracaju.

“A renda irlandesa é um artesanato caro com grande potencial de desenvolvimento de renda e autonomia para aquelas mulheres e região, mas elas precisam da divulgação e pontos de vendas específicos”, reforçou a analista do Sebrae.

Na 7ª edição da Feira Agropecuária do Estado de Sergipe, realizada entre 19 a 24 de março, no parque de exposições João Cleófas, zona Oeste da capital, as rendeiras ganharam um estande para expor. Levaram 80 peças, entre colares, pulseiras, brincos com preços variando entre R$ 5 a 80. Retornaram com as 80 peças para casa. “Não vendemos nada”, lamentou Maria José.

A Secretaria de Turismo do Estado garante que a renda irlandesa tem espaço de venda na capital. Segundo a assessoria do secretário Manelito Franco, caso a ASDRIDP-SE queira espaço exclusivo, basta formalizar o pedido junto a Setur que será analisado.

Confira um pequeno trecho de um vídeo em que mostra Maria José e Maria de Fátima confeccionado bordados.

Texto e imagens reproduzidos do site: fanf1.com.br

Festa do Vaqueiro, no município de Porto da Folha


Publicado originalmente no site FAN F1, em 29/03/2019

Festa do Vaqueiro do Porto de Folha (SE): tradição, que gera negócios e transforma a realidade local

Por Leonardo Barreto

Há 48 anos o município de Porto da Folha (SE), no sertão do estado de Sergipe, sedia a tradicional Festa do Vaqueiro. Em cinco dias de festa, a população local aumenta pelo menos 10 vezes. São cerca de 70 mil pessoas diariamente circulando pelo município, grande parte deles visitantes de outros municípios de Sergipe e estados como Bahia, Alagoas e Pernambuco. A festa já se tornou conhecida, inclusive, fora do Brasil, recebendo turistas da Itália e da França.

Durante os dias da festa a movimentação econômica registrada pela Secretaria Municipal de Cultura de Porto da Folha (SE) é de R$ 8 milhões de reais. Recursos que contribuem de forma significativa com o desenvolvimento da região.

Monumentos homenageiam a tradição da cidade - Praça do Boi
Foto: Ícaro Santana

A comemoração que desperta curiosidade em quem chega para conhecê-la, homenageia o vaqueiro, símbolo da cultura sertaneja e uma das principais figuras responsáveis pela movimentação econômica na região, que gira em torno da agricultura e pecuária. Ele é o trabalhador responsável pelo cuidado do gado, mas que em Porto da Folha, todos os anos no mês de setembro esse trabalho se torna uma verdadeira diversão.

É instalada uma maratona de festa. Paredões, muita gente nas ruas, casas em festa, competições, shows em trios elétricos e em palcos. Jovens, crianças, adultos e idosos, unem o que há de mais contemporâneo na música à tradição de quase meio século que orgulha  o povo nordestino.

 Praça principal do município. 
Foto: Ícaro Santana

 Praça principal de Porto da Folha durante a festa, às 5h30
Foto: Leonardo Barreto

Parque Nilo Santos lotado ao meio dia
Foto: Leonardo Barreto

“Pega de Boi no Mato”

A agitação que acontece o dia todo e durante a noite na cidade, se repete na Zona Rural, na serra mais famosa da região, Serra dos Homens. É nela que fica o Parque Nilo Santos, onde acontecem as competições, chamadas de “Pega de Boi no mato”. Semelhante a vaquejada tradicional, esta competição é realizada no meio da Caatinga e não em uma pista de areia como normalmente acontece. No caso de Porto da Folha, o vaqueiro não precisa mais derrubar o boi pelo rabo. Foi desenvolvida uma técnica, para evitar o sofrimento animal, para isto, é colocada uma argola no pescoço do boi e quando o vaqueiro sai da Caatinga, traz a argola, demonstrando que conseguiu pegar o animal.

Esta iniciativa demonstra avanço nas discussões que tramitam no Congresso Nacional sobre a extinção da Vaquejada, apontada por parlamentares defensores de sua extinção como uma prática de mal trato animal.

Um dos defensores da continuidade do esporte, o deputado federal Fábio Mitidieri (PSD-SE) pontou que a manutenção da vaquejada é fundamental para o fomento cultural e econômico no nordeste. “É uma prática secular, que estimula jovens, crianças adultos ao contato com a cultura nordestina. Movimenta milhões de reais e gera emprego. É possível dialogar e encontrar caminhos que permitam sua continuidade sem prejuízos à qualidade de vida do animal”, afirmou o parlamentar.

Certamente não é fácil por fim em uma tradição, que impressiona visitantes e até que já está acostumado com a festa por seu tamanho e sua beleza. Debaixo de um calor de mais de 40 graus, a competição ainda atraí cerca de 20 mil pessoas, que se dividem entre uma olhada na “Pega de Boi” e uma dança, já que vários cantores se apresentam em um palco montado ao lado das área destinada à competição.

Negócios

A festa que movimenta o Sertão Sergipano muda completamente o cotidiano do município, que tem 28.615 habitantes, de acordo com último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

São apenas cinco pousadas em Porto da Folha, todas elas ficam lotadas no período da festa. Empresários fazem inclusive novas contratações para atender a demanda.

Foto: arquivo pessoal

Dona de uma pousada no município, a empresária Daiane Lima informou, que desde quando inaugurou o estabelecimento, nunca ficou com um quarto vazio no período da festa. O prédio tem 17 dormitórios. “Pelo menos um mês antes da festa início toda a preparação e planejamento para atender aos hóspedes. O faturamento triplica, se comparado com outros meses do ano”, afirmou.

Apesar do esforço de empresários para acolher visitantes na cidade de Porto da Folha, o município é carente no setor hoteleiro, mas tem gente que tratou dar uma amenizada nesse problema, e é claro, futurar uma grana extra.


Ícaro Santana (Foto: arquivo pessoal)

Morador do município, o assessor jurídico, Ícaro Santana, aluga casas para quem chega e quer aproveitar a festa. Em cinco dias, ele consegue faturar o valor referente a cinco meses de aluguel. “Eu tenho algumas casas, que alugo por R$ 300,00 o mês. Vi na festa a oportunidade de melhorar minha renda e os alugueis sobem para R$ 1,500, 00 nesse período. Como normalmente são alugadas por grupos de pelo menos 15 jovens, não fica pesado para ninguém e todo mundo consegue aproveitar a festa bem acomodado”, destacou.

Resultados

Na terça-feira, é o dia do balanço. Normalmente a festa começa na quinta e vai até a segunda-feira, depois deste período, é hora dos moradores da pacata cidade voltarem ao seu cotidiano, e contabilizarem o resultado financeiro.

A gestão municipal, que tem um orçamento mensal de pouco mais de R$ 4 milhões, no período da festa recebe o dobro na injeção financeira do município, somando pelo pelos R$ 8 milhões.

Segundo o Secretário Municipal de Cultura de Porto da Folha, Cristian, a festa é uma vitrine para o entretenimento e os negócios ligados ao vaqueiro. Ele aponta que desde o motorista dos caminhões que trazem os animais para cidade, até os cantores locais que se apresentam na festa, todo mundo é beneficiado. “São cerca de 15 mil animais na festa, que precisam de veterinários, tratadores, os seus donos, precisam de locais para dormir, para comer, para se divertir. Portanto, temos vários seguimentos mobilizados integralmente. Acredito que isto garante o sucesso da festa, que em breve completará meio século”, pontuou.

Sejam os amantes da festa, ou até mesmo o que não curte muito, todo mundo acaba envolvido e também usufruindo dos resultados gerados por ela.

O trânsito, o comércio, a rotina, tudo passa por alteração e os moradores fazem questão, de ajudar, de orientar e acolher os visitantes que chegam dispostos a aproveitar cada minuto da festa.

Porto da Folha (Foto: Fan F1)

Quem mora em Porto da Folha é chamado de “Buraqueiro”, por conta da posição geográfica da cidade, que se desenvolveu no meio de um vale às margens do Rio São Francisco, sob influência da primeira aldeia indígena do estado, de um quilombo e da colonização europeia de portugueses e holandeses.

É nesse “buraco”, que o nordestino revela sua riqueza cultural e a suas estratégias para movimentar a economia.

Texto e imagens reproduzidos do site: fanf1.com.br