quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Engenho Pedras, Região da Cotinguiba, município de Maruim

Foto reproduzida do blog: antoniolindvaldosousa.blogspot.com

Escola do Legislativo Deputado João Seixas Dória, em Aracaju


Fotos reproduzidas do site: al.se.leg.br

Poder Legislativo de Sergipe

Presidentes na história do Poder Legislativo
Foto: Jadilson Simões

Publicado originalmente no site do Portal da ALESE, em 13/09/2018

Poder Legislativo de Sergipe

Por Kelly Monique Oliveira – Rede Alese

Em Sergipe, o Poder Legislativo foi instituído através da Assembleia Provincial, em 1835, de lá para cá, já passaram pela presidência da Casa Legislativa 39 deputados estaduais, os quais desenvolveram trabalhos de destaques como, por exemplo, a criação da TV Alese, do Espaço Cultural, Escola do Legislativo e realização de concurso público para atualizar o quadro de funcionários da Casa.

Com a mudança da capital para Aracaju, em 17 de março de 1855, a nova sede foi instalada no Palácio Fausto Cardoso – hoje, Escola do Legislativo João de Seixas Dória. Em 1987, a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe se estabeleceu no Palácio Governador João Alves Filho, atualmente, denominado Palácio Construtor João Alves.

O Poder Legislativo de Sergipe é representado por 24 deputados e deputadas eleitos e eleitas para cumprirem um mandato de quatro anos. Já o parlamentar que assume a presidência da Casa pode ser reeleito ao cargo por dois biênios.

Atribuições

O parlamento sergipano elabora as leis com o objetivo de governar em benefício da população, funcionando como uma caixa de ressonância da opinião pública: eles falam em nome dos cidadãos, legislam apresentando, discutindo e deliberando proposições legislativas, fiscalizam e controlam a execução de ações e atos do Poder Executivo, e investigam ocorrências de ilícitos, através das Comissões Parlamentares de Inquérito...

Texto e imagem reproduzidos do site: al.se.leg.br

Praças do Centro guardam a história política de Sergipe

Praça Fausto Cardoso foi cenário de entraves políticos 
Fotos: Ana Lícia Menezes


 Fotos: Silvio Rocha

Estátua de Fausto Cardoso foi a primeira do estado

  Na praça Olímpio Campos está situada a Catedral e a tradicional feirinha de artesanato

Catedral Metropolitana (Foto: Sergio Silva)

Publicado originalmente na Agência Aracaju de Notícias, em 18/09/18

Praças do Centro guardam a história política de Sergipe

As praças podem ser um ponto de referência, ponto de encontros, desencontros e também de conflitos. A praça Fausto Cardoso, localizada às margens do rio Sergipe, no Centro da cidade, já foi cenário de disputa política e revolta nos anos 90. Foi lá que aconteceu o episódio conhecido como a ‘Tragédia de Sergipe'.

De acordo com o historiador Antônio Lindvaldo Sousa, a praça Fausto Cardoso reunia todos os serviços públicos do estado. "Naquele espaço funcionava todos os serviços públicos da Província. Lá estavam o Palácio do Governo; o Ministério Público Estadual; atualmente ainda abriga o Tribunal de Justiça de Sergipe e a Assembleia Legislativa, ficando também conhecida como Praça dos Três Poderes", contou.

Antes de ser nomeada como Fausto Cardoso em 1912, a praça já recebeu outras denominações. "Já foi Praça do Imperador; Praça do Palácio; Praça da República; e praça Tiradentes", completou.

História

Natural de Divina Pastora, Fausto de Aguiar Cardoso era advogado, filósofo e deputado estadual. Totalmente insatisfeito com a política das oligarquias, passa a liderar o grupo chamado de ‘Pebas', formado por profissionais liberais como médicos, advogados e pessoas de classes populares.

O grupo opositor de Fausto Cardoso era os ‘Cabaus', liderado pelo padre Olímpio de Sousa Campos, formado em sua maioria pela nobreza da cana, monarquistas, conservadores, religiosos e donos de terras. Ele era senador da república e seu irmão, Guilherme Campos, governador de Sergipe. Com isso, os conflitos começaram quando Guilherme Campos decidiu enfrentar o grupo de Fausto Cardoso.

Acompanhado de políticos, militares e de grupos populares, Fausto Cardoso ocupou o palácio do governo, atual Palácio-Museu Olímpio Campos, e destituiu o governo de Guilherme Campos. "Guilherme pede reforço para o irmão na segurança do palácio e Olímpio Campos faz a solicitação ao Presidente da República. Ele foi atendido e o reforço, ao chegar aqui, tenciona na frente do palácio. Fausto Cardoso resiste, mas acaba sendo assassinado por tiros", relatou o pesquisador de história, Osvaldo Ferreira Neto.

As mortes não acabaram por aí. Em novembro do mesmo ano, outro fato marcou a rivalidade entre eles. "Os filhos de Fausto Cardoso, como toda a população, acreditaram que o assassinato do pai foi motivado pelo pedido de Olímpio Campos. Em 1906, os filhos de Fausto Cardoso assassinam Olímpio Campos na Praça 15, no Rio de Janeiro", completou.

Cinco anos depois dessa tragédia, é feita toda uma mobilização pela população para que se construísse um monumento em homenagem à Fausto Cardoso. Esculpido pelo grande artista italiano Lorenzo Petrucci, foi o primeiro monumento com estátuas em local público de Sergipe. Em sua base, estão os restos mortais do homenageado.

Muitos apoiadores políticos de Olímpio Campos também exigiram que o nome dele fosse dado a então Praça da Matriz, para homenageá-lo. No ano de 1916 foi erguida a estátua do Monsenhor Olímpio Campos na praça que também acabou levando o seu nome.

Praça Olímpio Campos

Nessa praça está a Catedral Metropolitana de Aracaju, local onde está enterrado o corpo de Olímpio Campos. Atualmente, a praça abriga o parque Teófilo Dantas e a feira de artesanato. Do lado direito da catedral fica o prédio da Arquidiocese de Aracaju e da antiga sede da Prefeitura. Ao fundo, o Memorial do Judiciário, e do lado esquerdo, a Rua do Turista.

O carioca Gilvan Camões, 41, mora em Sergipe há 22 anos e sempre passa pela praça Olímpio Campos. "É um caminho que utilizo para ir ao trabalho, ir para o calçadão e até encontrar os amigos. Há muito tempo eu e os meus colegas nos encontrávamos aqui para tomar cerveja, se divertir. Já estive em outras praças nos estados da Bahia, Minas Gerais e aqui não deixa nada a desejar", contou.

Praça Almirante Barroso

Ela está localizada ao lado do Pálacio-Museu Olímpio Campos, entre as praças Fausto Cardoso e Olímpio Campos. Nascido em Portugal, Francisco Manuel Barroso da Silva foi um militar da Marinha. Ele lutou na Batalha Naval de Riachuelo, na guerra do Paraguai, em 1865. Na ocasião, uma ação da esquadra brasileira, comandada pelo almirante Barroso, foi decisiva para aniquilar a esquadra paraguaia e, assim, dar vitória ao Brasil durante a Guerra do Paraguai.

Para homenagear esse grande militar, a praça recebeu o nome de Almirante Barroso. O Governo de Sergipe, na época, determinou que o espaço se transformasse em um jardim gradeado, onde o seu busto foi colocado ao lado da Câmara Municipal. Por causa disso, durante muito tempo, a praça ficou conhecida como "Jardim de Almirante Barroso" e foi considerada o primeiro jardim público da cidade.

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Praça General Valadão marca início da capital projetada

 Praça está no marco zero da cidade 

 Prédio da antiga Alfândega, hoje Centro Cultural 
Foto: Marco Vieira

 Francisco dos Santos vende coco no entorno da praça há 20 anos

O busto do homenageado, general Valadão 
Fotos: Silvio Rocha

Publicado originalmente no site da PMA, em 17/09/2018 

Praça General Valadão marca início da capital projetada

Um lugar cheio de histórias fascinantes, que guarda importantes construções históricas e leva o nome de um ex-governador do estado, que defendia os interesses das classes mais populares no século 19. Essa é a praça General Valadão, situada no Centro da cidade.

Inaugurada em 24 de outubro de 1924, a praça é considerada o marco zero da cidade. Tudo começou quando o primeiro presidente da Província de Sergipe Del Rey, Inácio Joaquim Barbosa, contratou o engenheiro militar Sebastião José Basílio Pirro para planejar a cidade, fundada em 1855. A praça estava dentro do chamado ‘quadrante de Pirro', que tinha como ponto inicial a praça Fausto Cardoso e a partir do qual foi traçado o tabuleiro de xadrez, dando forma à nova capital. O desenho se estendeu para os sentidos norte, oeste e sul, e se desenvolveu a partir da antiga Alfândega, onde hoje funciona o Centro Cultural de Aracaju.

No entorno da praça também está uma das primeiras construções de Aracaju, o edifício da Cadeia Pública, que abrigava os presos no Palácio Serigy, onde funcionou durante muitos anos a Secretaria de Estado da Saúde. Ali também está o antigo hotel Palace, e o prédio mais alto de Sergipe, o edifício Cidade de Aracaju, conhecido como Maria Feliciana.

Ao lado da praça também está o Beco dos Cocos, uma importante rota de passagem de cargas de cocos, que já foi citado por Jorge Amado em seus livros. Mantendo a tradição, o vendedor Francisco dos Santos, 63, comercializa coco há 20 anos na praça. "Gosto muito daqui porque é sossegado, apesar do movimento do comércio. Vem muita gente tomar água de coco debaixo das árvores da praça", contou.

Nomes

De acordo com o pesquisador de história, Osvaldo Ferreira Neto, a praça já recebeu diversas nomenclaturas. "Por muitos anos, a praça foi chamada de Praça da Cadeia, Praça da Alfândega, Praça 24 de Outubro, data em que é comemorada a emancipação política de Sergipe, e também já foi nomeada praça Ciro Franklin de Azevedo, que foi um ex-governador do estado. Já foi a Praça do Quartel, porque ali estava o antigo quartel do 28º Batalhão de Caçadores, e por fim, General Valadão dá o nome à praça a partir da década de 20, ganhando um busto do homenageado", explicou.

Natural de Neópolis, Manuel Prisciliano de Oliveira Valadão, mais conhecido como general Valadão, foi militar e político brasileiro. Ele foi senador, deputado federal e governador de Sergipe em 1894, quando se destacou. Fazia parte do grupo dos ‘Pebas', apelido que passou a identificar seu grupo político à época. Quem também fazia parte desse grupo era o então deputado estadual, Fausto Cardoso.

Diferente dos outros políticos, o general Valadão era um governante liberal. Ele apoiava a república e lutava pelos direitos do povo. Era também contra a escravidão e contra a monarquia. Com apenas 15 anos de idade, alistou-se voluntariamente no exército brasileiro e, assim como o poeta Francisco Camerino e o militar da Marinha Almirante Barroso, também participou da Guerra do Paraguai em 1864. Ele faleceu aos 72 anos de idade. Não se sabe a causa de sua morte.

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Um artigo que nos leva à Aracaju anos 60

Imagem de arquivo: @sj_bruno - Reproduzida do
site: imgrum.net/media e postada pelo blog Minha...,
para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site Liberdades,  em 02/09/2017

Um artigo que nos leva à Aracaju anos 60

Por Gildo Simões Andrade *

O potó é um inseto da família Staphylinidae, conhecido como inseto errante, distribuído por todo o mundo, que se alimenta de material putrefato, seja animal ou vegetal, algumas espécies comem formigas, outras cupins, de tal modo que são úteis para o equilíbrio ecológico. Eles pertencem ao gênero Paederus, também chamados de insetos que provocam bolhas, gênero que agrupa 8(oito) espécies, bastante numerosos na primavera, verão e em épocas de chuvas.

Ao observarmos o potó vemos cabeça e tórax de coloração enegrecida assim como o abdome , sobre o qual há partes entremeadas de cor amarela. Temos um par de antenas emergindo da cabeça e outras do abdômen , com presença de pêlos, o que faz ele se locomover feito um escorpião; além disso, possui um par de pequenas asas posteriores, o que lhe possibilita voar. Dentro dos seus fluidos existe uma substância - a pederina, que em contato com a pele do homem provoca necrose cutânea. O grande problema é que quando o inseto pousa sobre a pele da pessoa, esta inadvertidamente bate sobre o inseto contra pele, no intuito de matá-lo, justamente o bastante para a liberação da substancia pederina, ocasionando assim as lesões de inflamação, formação de bolhas e feridas abertas, geralmente em áreas expostas do corpo, tais como braços, ante-braços, face e pescoço.

É no pescoço o local de maior incidência de lesões pelo fato do inseto possuir pequenas asas posteriores, fazendo vôos pequenos. Na face, pode provocar prejuízo maior se próximo aos olhos. Não só no campo se verifica grande incidência deste inseto como também no mar, nas plataformas petrolíferas, dificultando o trabalho dos funcionários já que as lesões são muito dolorosas. Este relato nos remete aos anos 60 quando houve um período onde quem passava pelo parque (praça da catedral - Praça Olímpio Campos) era muito raro não ser 'picado" pelo potó, muito embora este sendo de uma outra espécie, de tamanho bem menor, atingia de preferência os olhos e era conhecido como "lacerdinha".

Na época, o Colégio Jackson de Figueiredo, sob o comando do casal Profa. Judite e Prof. Benedito, reunia grande número de alunos, os quais presenciavam o suplício das pessoas que pela manhã tinham que atravessar o parque com seus inúmeros pés de oiti e tamarindo para irem aos seus empregos na rua de João Pessoa e adjacências. Muitas vezes os próprios estudantes eram os alvos do inseto potó. O sofrimento resultava em falta escolar na caderneta do aluno, o qual impreterivelmente tinha que apresentar o pedido dos pais explicando o motivo pelo qual o aluno faltou, de modo que o Prof. Benedito ou Profa. Judite pudesse abonar as faltas. O que na verdade poucos sabiam na época é que o segredo para não sofrer as temíveis lesões que o potó causava era simples: bastava um "peteleco" para afastar o inseto da pele, ou fazê-lo através de um pedaço de papel ou ainda soprando, quando perto do olho , de modo que se evitasse esmagá-lo sobre o tecido, para que não houvesse a liberação da substância pederina - o vilão da história.

* Formado em Medicina, Fundador da Sociedade Brasileira de Dermatologia regional de Sergipe/80

Texto reproduzido do site: liberdades.com

Praça Fausto Cardoso, em Aracaju

Foto reproduzida do site: cadernomercado.com.br

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Belas imagens da cidade de Aracaju

 Ponte Construtor João Alves sobre o Rio Sergipe

 Praça Camerino, em Aracaju

Fim de tarde no Rio Sergipe, que banha a cidade de Aracaju.
Fotos reproduzidas da Fan Page no Facebook/Prefeitura de Aracaju

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Livro - Obra e vida do sergipano Cândido de Faria

Cartazes de filmes feitos por Cândido quando começa a trabalhar 
com cinema em Paris (à esquerda, p.154; à direita, p.178)

Publicado originalmente no site Expressão Sergipana, em 11 de setembro de 2018

ELE CONQUISTOU O MUNDO COM SUAS ILUSTRAÇÕES: CONHEÇA A OBRA E A VIDA DESTE SERGIPANO

Livro lançado na França e em Sergipe reúne o trabalho de pesquisa de dois anos sobre o ilustrador Cândido de Faria

De Redação 

Um sergipano que ganhou o mundo por meio de suas ilustrações. Alcançou o auge de sua carreira em Paris, desenhando cartazes de cinema, depois de ter atuado como caricaturista e ilustrador de jornais. Criou um formato para seus cartazes que se tornou padrão para o cinema no mundo todo.

Cândido Aragones de Faria nasceu em Laranjeiras (SE) e viveu de 1849 a 1911. Sua história está sendo contada agora no livro “Cândido de Faria – um ilustrador sergipano das artes aplicadas”, lançado pela Editora UFS.

O livro é fruto do trabalho de um grupo de pesquisa do curso de Design Gráfico da UFS. Orientados pela professora Germana Araújo, os estudantes Beatriz Matos, Cybelle Nascimento e Jean Carvalho foram também responsáveis pelo trabalho.

Para a professora Germana Araújo, uma das competências do desenho de Cândido 
é retratar de maneira realista o que pretendia representar 
Fotos: Márcio Santana/ Ascom UFS

“A gente ajudou a construir montagem e tratamento de imagem e cada um ficou responsável em pesquisar uma parte específica da vida dele [Cândido Araújo]. A pesquisa é sobre análise da imagem e como ele formulava isso dentro da cultura que estava produzindo”, afirma Beatriz, estudante do 7º período.

O LIVRO, PASSO A PASSO

Seu enredo faz uma amarração, em quatro partes, sobre quem foi Cândido e sua caminhada. “O nosso foco era descortiná-lo de maneira completa. Toda a vida dele, onde nasceu e onde faleceu. E durante essa trajetória, conhecer o que ele produziu, onde trabalhou e quais eram as características desse trabalho”, diz Germana Araújo.

A primeira parte – intitulada “A Laranjeiras de Faria” – foi escrita por Beatriz Góis, historiadora de Sergipe, para tratar de um lado mais pessoal da vida de Cândido.

Cândido de Faria nasceu em Laranjeiras em 1849. Após perder o pai (vítima da cólera), foi com a família para o Rio de Janeiro em 1858, onde ficou também órfão de mãe em 1862 e inicia sua trajetória no mundo das artes aos 17 anos, ao ingressar na Academia Imperial de Belas Artes.
Ilustrações para o periódico A Vida Fluminense, de 1872 (p. 66)

Na parte dois – com o título “Um raro ilustrador brasileiro num mar de estrangeiros na imprensa nacional” -, o livro aborda o início do lado profissional de Cândido. Apesar da pouca idade e de ser um dos únicos brasileiros na área, ele foi conquistando espaço no trabalho de ilustração (desenhando caricaturas), sendo reconhecido como um artista das artes aplicadas.

A partir dessa conquista, Faria amadurece suas técnicas e passa a ter papel importante na produção intensa das publicações impressas. Nomeada de “Faria e a comunicação de impressos”, essa terceira parte foca em trazer para o leitor que, mesmo sendo pouco citado no Design, Cândido não era um completo desconhecido.

Já na parte quatro, última do livro, a migração de Cândido para o exterior deixa claro como ele estava inquieto com sua área de atuação no Brasil, pois buscava mais valorização.

Em 1879, vai morar em Buenos Aires buscando solos melhores para sua arte e seis anos depois, se muda para Paris, onde atua no cenário de bastante movimentação cultural da França, o do cinema.

Nomeado como “O que Faria em Paris”, o capítulo aborda a atividade do sergipano na ilustração de cartazes para filmes. Produções da então maior empresa cinematográfica da França foram divulgadas por cartazes desenhados por Cândido.

“A Stéphanie descobriu que ele entregava, em três meses, nove mil cartazes. Ele foi o maior produtor do cartaz de cinema do começo do século XX e o tamanho do cartaz do que ele produzia (1,20 x 1,60 m) até hoje é utilizado por Hollywood. Então é um sergipano que gera o formato padrão de cinema no mundo e isso é impressionante”, afirma Germana, que também é coordenadora gráfica da Editora UFS e professora do Mestrado em Culturas Populares.

As estudantes de Design Gráfico, Cybelle Nascimento e Beatriz Matos, participaram 
do projeto que trata da trajetória pessoal e profissional de Cândido Faria

DESIGN E CULTURA

A investigação do personagem protagonista do livro surgiu a partir do momento que Germana Araújo ingressou na Academia de Letras de Aracaju em 2015, tendo que escolher um patrono (figura intelectual representada por um membro da Academia) por consequência.

“Não se sabia muito sobre ele, apenas que já tinha sido descortinado, e assim ele foi uma alternativa. Como eu não sou uma pessoa de Letras, sou da visualidade, achei a ideia bastante interessante porque na época só se sabia que ele tinha sido um sergipano de Laranjeiras que tinha ido produzir cartazes de cinema pela Pathé”, diz a organizadora da obra.

Da escolha do patrono, Germana trouxe o nome de Cândido para o Design e Cultura, grupo de pesquisa que coordena. Dessa forma, ela e os três alunos foram estudando Cândido através da linha “Análise e produção da imagem”, destinada exclusivamente para isso.

“A questão de amadurecer como estudante e também como profissional foi sensacional. Eu comecei esse projeto sem pretensão alguma e saí apaixonada por pesquisa”, conta Cybelle Nascimento, que cursa o 8º período de Design Gráfico.

A discente diz também que uma das competências do desenho de Cândido é retratar de maneira realista o que pretendia representar. “O traço dele é muito característico e o desenho é muito particular. O traço que eu digo é aquela forma como ele trabalhava a caricatura e distorcia, mas não tanto para descaracterizar a pessoa. Ele evoluiu muito no trabalho, mas sem deixar essa sua marca registrada”, diz a estudante.

Obras de Faria nos impressos; no Rio de Janeiro (à esquerda,
 p. 109) e em Buenos Aires (à direita, p. 124)

A ideia de organizar os resultados de pesquisa em um livro surgiu após um ano e meio de estudo, quando Germana foi até a Fundação Pathé – local que preserva o acervo da Produtora Pathé -, em Paris.

A obra começou a ser escrita no começo de junho de 2017, em setembro estava sendo corrigida e foi finalizada em dezembro. E para quem fez parte de sua construção, a sensação de realização fica nítida.

“A experiência de pesquisar alguém é gratificante porque você se sente um investigador e de repente a pessoa vai tomando forma no seu imaginário e no imaginário dos outros integrantes do projeto. Você pensa em como vai apresentá-lo para as outras pessoas que também não o conheciam ainda”, explica Beatriz.

Além dos textos dos estudantes, o livro conta com contribuições importantes no cenário da história e do design. O prefácio é escrito por Rafael Cardoso (designer), enquanto colaboraram na escrita da publicação Beatriz Góis (historiadora de Sergipe) e Stéphanie Salmon (responsável pelo acervo da Fundação Pathé), que também ajudou na tradução para o francês. O posfácio foi escrito por Norberto Gaudêncio Júnior (designer e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie), que teve participação durante todo o processo de pesquisa, já que sua tese de doutorado foi um embasamento para o grupo.
Cartazes de filmes feitos por Cândido quando começa a trabalhar 
com cinema em Paris (à esquerda, p.154; à direita, p.178)

DESAFIOS NA TRAJETÓRIA

Apesar da boa relação que o grupo de pesquisa teve com a sugestão do nome de Cândido, a dificuldade para entender quem realmente ele foi e sua influência no cenário internacional foi um dos pontos principais a serem superados. Germana, Cybelle, Beatriz e Jean se depararam com a pouca quantidade de obras a respeito do sergipano.

“Não existia nada especificamente sobre ele. Todo material trabalhava a história da imprensa no Brasil ou sobre a história da caricatura, mas quase nada sobre ele. Foi bem difícil, mas conseguimos adquirir obras, estudamos trabalhos científicos que não tinham foco no Faria, mas em pessoas que eram contemporâneas a ele, então descobrimos essa historia maravilhosa de Cândido”, explica a professora.

Paralelamente a essa situação, algumas análises apontavam o ilustrador como argentino, o que fez com que os alunos intensificassem ainda mais a pesquisa. “O que fez a gente também se apegar a Cândido foi o fato de ele ser sergipano e não ser reconhecido como tal. Um cara tão fantástico, tão maravilhoso e, por vezes, passava batido. Em um grupo de pesquisa, a gente descobriu quanta riqueza Cândido pôde trazer”, diz Cybelle.

E para entender a relevância desse estudo sobre o artista, vale observar que o grupo de pesquisa da UFS é um dos três grupos no Brasil que aprofundam o conhecimento acerca de Cândido, de acordo com Germana Araújo.

“Uma coisa muito interessante é que como somos o único grupo dos três que reside em Sergipe e, por isso, uma coisa que eu queria que o livro tivesse como comissão de frente era a historia de Laranjeiras. Esse nosso livro é o único no mundo que trata exclusivamente sobre ele. É a única bibliografia específica sobre o Cândido, então tem um peso muito significante”, explica a coordenadora do grupo.
Germana Araújo: “O tamanho do cartaz do que ele produzia (1,20 x 1,60 m)
 até hoje é utilizado por Hollywood” (p.170)

FUTUROS PROJETOS

O livro foi lançado em Paris em março de 2018 e em Aracaju em maio, mas o trabalho sobre Cândido não está finalizado. Além da manutenção do grupo de pesquisa, Germana está produzindo outros projetos, frutos da ideia inicial do livro.

“Pensei que o livro iria me dar uma tranquilidade de tarefa cumprida, mas não. Está sendo bem mais que isso. Estamos produzindo também outro livro sobre ele, mas dessa vez com questões bastante específicas da área do design da informação. Estamos produzindo um minicurta em animação, sobre a vida dele, para apresentar no 10º Lobo Fest – Festival Internacional de Filmes; e em 2019 estaremos com 12 cartazes originais dele dentro do Museu Histórico Nacional, no Rio de janeiro.”

CÂNDIDO DE FARIA

Em 1911, Cândido falece em Paris, onde se consagrou como o nome mais importante das artes visuais no início do século XX. “O Cândido é um ilustrador e nós somos da área do design gráfico. Então por ele assumir a linguagem da ilustração e fazer dela tão importante para o cinema e para os impressos, a gente se sente extremamente confortável de estar oferecendo esse livro para a sociedade”, conclui Germana.

PARA SABER MAIS:

O LIVRO - Pode ser encontrado nos sites Estante Virtual e Amazon.
POR - Letícia Nery (bolsista) e Marcilio Costa
FONTE - Ascom UFS | comunica@ufs.br
TAGS - Cândido de FariaUFS

Texto e imagens reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

Museu do Homem Sergipano, Rua Estância, em Aracaju

Foto: Google Maps
Reproduzida do site: cinform.com.br

Museu Histórico de Sergipe, no município de São Cristóvão

Foto: Gladston Barroso
Reproduzida do site: cinform.com.br