quinta-feira, 12 de julho de 2018

Você conhece o "Museu das Horas" em Aracaju?

Foto: Anna Guimarães

Publicado originalmente no site Expressão Sergipana, em 17 de março de 2018

Você conhece o "Museu das Horas" em Aracaju?

Por Anna Guimarães 

Sou daquele tipo que vive tropeçando pelas calçadas do Centro, de tanto andar com a cara pra cima buscando qualquer vestígio daquela Aracaju antiga… Um tempo que não vivi, mas que sinto uma saudade como se fosse meu.

Rua São Cristóvão – Centro | Foto: Anna Guimarães

Mas dessa vez, foi o nostálgico som de uma badalada que me levou a mais uma descoberta. Ônibus passando, um arrocha tocando na esquina e, ainda assim, aquele som metálico me alcançou, apontando para uma parede repleta de relógios.

É a loja do Manoel Alves. Na verdade, oficina! De topo tipo de relógio. No mesmo local desde 1983 – nº 320 da Rua Capela.


Fotos: Anna Guimarães

Com mais de 35 anos no ofício relojoeiro, o filho de Porto da Folha, nascido em 1965, lembra que foi o irmão que iniciou na atividade, com diploma de curso por correspondência, o EAD da era off-line.

Imagem de www.curiosonwes.com.br

Em 1983, Manoel montou sua banca de conserto de relógios de pulso. Passou a usar como ponto a garagem da casa do Sr. Luís Tarcísio. Tornou-se amigo da família e, até hoje, mantém em sua loja uma foto de Dona Helena Cabral, esposa de Luís Tarcísio. Lembra que Dona Helena era daquelas pessoas de coração grande que oferecia refeição para moradores de rua. O prédio atual suprimiu a casa antiga, mas uma foto do Google Street conseguiu salvar alguma lembrança (abaixo).

Imagem do Google Street

Com Seu Muniz, outro relojoeiro que mantinha uma banca bem ao lado da sua, Manuel aprendeu a mexer em relógios de parede e, a partir aí, aprimorou-se nas máquinas antigas. Hoje, tem clientes até fora do estado, recebendo peças com mais de cem anos.

Máquina americana do início do século XX | Foto: Anna Guimarães

No requinte da madeira talhada, os detalhes de uma época em que tempo parecia passar mais devagar, em salas espaçosas de sofás familiares e conversas à mesa, bem antes das portas fechadas por causa dos assaltos e das cercas elétricas em muros altos.

Foto: Anna Guimarães

Em cada pecinha, a engrenagem das horas conta o tempo, conta histórias e badala o life style analógico, sem pressa e sem emoticons, de uma simplicidade infantil, certa de que tudo passa, porque o tempo é um barco sem porto.

Foto: Anna Guimarães

Enquanto isso, Manoel continua na mesma porta da Rua Capela, que, apesar de oficina, de quando em quando tem peças para venda. Caso queira voltar no tempo, seguem os contatos.

 Foto: Anna Guimarães

Texto e imagens reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

Sr. Faustino recorda momentos em 80 anos do Itabaiana

Faustino Menezes, ex-jogador do Itabaiana (Foto: Osmar Rios/GloboEsporte.com) 

Publicado originalmente no site Globo Esporte Sergipe, em 10/07/2018 

"Ceboleiro da gema", Sr. Faustino recorda momentos em 80 anos do Itabaiana

Um dos símbolos do clube hoje é conselheiro, mas já foi jogador e treinador do Tremendão

Por Osmar Rios, GloboEsporte.com, Itabaiana

"Sou ceboleiro da gema com muito orgulho", disse sorrindo um dos caras que mais representa a Associação Olímpica de Itabaiana. Faustino Alves Menezes, hoje mais conhecido por Sr. Faustino, tem o clube como se fosse um membro da família. Não é pra menos, nascido na Zona Rural de Itabaiana, ele começou cedo por lá e, pelo visto, vai permanecer ajudando de alguma forma sempre que for possível.

- Eu comecei com 9 anos no Itabaiana, eu levava material para o campo. Só que naquela época o Itabaiana não era um time consistente. Ele aparecia, depois desaparecia. Antes dele, existiam dois times, o Brasil e o Santa Cruz. Então em 1938 resolveram fazer uma fusão dos dois, inclusive nas cores. Um era azul e branco e o outro vermelho e branco. Por isso, colocaram o time tricolor, para agradar aos dois lados - explicou o Sr. Faustino.

1959: Primeiro título do Itabaiana (Foto: Arquivo/AOItabaiana) 

Aos 86 anos, ele ainda lembra bem da fusão entre os clubes amadores Brasil Football Club e o Balípodo Club Santa Cruz, a fim de existir uma equipe mais participativa, com um calendário regular. Com isso, no dia 10 de julho de 1938 nascia um novo time no município serrano, o Botafogo Sport Club.

Mas este nome não durou muito, pois vários integrantes não se deram por satisfeitos. Então, um homem chamado Sr. Irineu Pereira Andrade tomou a iniciativa de marcar uma reunião e no dia 6 de outubro, daquele mesmo ano, a equipe trocou apenas o primeiro nome, colocando o nome da cidade onde foi fundado: Itabaiana Sport Club. O que conhecemos hoje por Associação Olímpica de Itabaiana só foi instituído em 1950. Nove anos depois, o Tricolor da Serra conquistava o primeiro título, ainda como amador.

Faustino, camisa 4 do Itabaiana em 1959 (Foto: Osmar Rios/GloboEsporte.com) 

E quem estava no elenco? Ele mesmo, o Sr. Faustino. O "cabeça de área" (volante) do Tremendão era titular absoluto e vestia a camisa 4. Aliás, veste até hoje, com muito orgulho, mas fora das quatro linhas. Naquela conquista que levava o nome de Zona Centro de Sergipe ele tinha 27 anos.

- A partir dos 14 anos eu me inscrevi como atleta do Itabaiana para jogar no juvenil, fui o primeiro a fazer isso. Minha primeira passagem no Itabaiana foi de 1947 até 1952. Depois, de 1952 a 1955, eu fui jogar no Sudeste e retornei para minha cidade em 1955, quando joguei no Canta Galo, um time que surgiu para fazer frente ao Itabaiana, até 1958. Então, em 1959, voltei o Tricolor e fui campeão, conquistando o primeiro troféu do clube - conta Sr. Faustino.

Agnélio, Zé de Chico, Fernando, Divo, Zé de Ermoges, Faustino, Gonçalinho, Zé de Neném Faete, Valdenor, Pirrozinho e Antônio ("Tonho") Negão. Esse foi o time titular da Olímpica na conquista do primeiro título em 1959. E Faustino lembra bem dos nomes, foi falando cada um, inclusive recordou até da final. Uma festa que está escrita em três cores no coração do ex-volante que vestia geralmente a camisa 4 do Tremendão.

Itabaiana, 1959: solenidade de entrega das faixas ao campeão da Zona Centro
 (Foto: Arquivo/AOItabaiana) 

- Lembro! Nós batemos o Rio Branco lá em Capela, por 2 a 1, gols de Faete e Valdenor. Fiquei muito feliz. Foi uma empolgação muito grande. Foi muita alegria na cidade, chamou a atenção de todo mundo. Aí o clube passou a receber uma ajuda financeira maior - destacou o ex-volante do Tricolor da Serra.

No ano seguinte, Sr. Faustino virou treinador do clube, uma espécie de colaborador, como ele mesmo definiu. Mas não demorou muito por lá, foi apenas uma passagem para marcar ainda mais o nome dele na história do Itabaiana.

- Eu era um treinador amador, fui para colaborar com o clube, porque em 1960 foi instituído o chamado "misto profissional" pela Federação Sergipana de Futebol. Só que em 60 eu já estava com uma atividade que exigia muito de mim, era sapateiro, então deixei de ser técnico e nós levamos para lá o primeiro treinador profissional. Daí em diante acompanhei o time de outras formas - afirmou Sr. Faustino Menezes.

Itabaiana pentacampeão sergipano (Foto: Arquivo/AOItabaiana) 

O primeiro título do Itabaiana já como profissional veio dez anos depois (1969) e, pra ser mais especial ainda, foi justamente no antigo Estádio Etelvino Mendonça. Um ano depois, Faustino veio morar na capital sergipana, mas nunca deixou de seguir o Tremendão nas partidas. Foi justamente no final daquela década e no início da década de 80 que a Olímpica conquistou o pentacampeonato sergipano (78, 79, 80, 81 e 82), mostrando o quanto o clube já tinha crescido em tão pouco tempo e já se tornava uma das referências do Estado.

Faustino também lembra dessa conquista, mas pra ele o melhor time que viu jogar foi o de 1971, que foi campeão do Nordeste. Segundo o clube, apesar de ainda não ser oficializado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), "está registrado nos anais da história através de diversos jornais e do Boletim Oficial da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD)".

Itabaiana campeão do Nordeste em 1971 (Foto: Arquivo/AOItabaiana) 

Outra recordação do ex-jogador/técnico, conselheiro e torcedor tricolor foi do dia 23 de fevereiro de 1980, quando o Itabaiana, que vinha de um bi estadual, derrotou o Internacional, então tricampeão brasileiro, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro de 80 (Taça Ouro) em pleno Estádio Beira Rio.

- No penta eu já era apenas torcedor. Foi muito bom, muita emoção! Mais um momento de festa na cidade, e de orgulho acima de tudo. Mas pra mim foi o melhor time que vi jogar foi o de 1971, que foi campeão do Nordeste. Do jogo contra o Internacional, eu lembro de uma história legal. O Itabaiana ganhou do Internacional que era um timão, lá dentro do Beira Rio. Havia um rapaz que morava perto de onde eu trabalhava, era como se fosse meu vizinho.Nós nos reuníamos para bater papo. E nesse dia da vitória do Itabaiana ele "encheu a cara", bebeu todas, e disse que estava fazendo isso porque acreditava que um feito desse só aconteceria depois de 100 anos ou mais - conta Faustino Alves Menezes.

Itabaiana vence o Internacional no Beira Rio em 1971 pela Taça Ouro 
(Foto: Arquivo/AOItabaiana) 

E uma das coisas que ele mais se orgulha é de ter participado da comissão que correu atrás da construção do estádio Presidente Médici, hoje Etelvino Mendonça, no mesmo ano do título regional, que teve como time titular na inauguração: Marcelo, Augusto, Humberto, Elísio e Messias; Gustinho, Bené e Zequinha; Edmilson, Horácio e Tatica. O técnico era Alberto Menezes. Vale lembrar que no atual Mendonção ele tem uma cadeira cativa e vai a todos os jogos do Tremendão.

Estádio Presidente Médici (Foto: Arquivo/Matheus Lima)

- Time que tem dono é porque ninguém mais dá opinião. Não é o caso do Itabaiana, que é uma instituição organizada, que tem estatuto, diretoria e é patrimônio de todos, não de uma pessoa só. Estive à frente de uma comissão, na qual reunimos diversas pessoas importantes de Itabaiana, independente de política, para buscar esse estádio. Nosso porta-voz foi Antônio Barbosa. Eu era até fiscal de obra, olhava tudo, cada detalhe, para que ficasse pronto da melhor forma possível. E nós conseguimos! Eu me orgulho muito disso, foi um grande feito para o futebol de Itabaiana. Naquele dia da inauguração foi festa geral, bandeiras espalhadas por toda cidade - disse Sr. Faustino.

E, neste dia especial, Faustino Alves Menezes fez questão de colocar a camisa preferida, que informa na frente o título de 1959 e deixa eternizado nas costas o número 4 e o nome daquele que é um dos maiores símbolos dessa Associação Olímpica que completa 80 anos de fundação neste 10 de julho de 2018. Ah, e a faixa de campeão? Essa ele também guarda com muito carinho.

Faustino, ex-jogador do Itabaiana (Foto: Osmar Rios/GloboEsporte.com) 

"Essa faixa aqui eu vou morrer e ela vai ficar. Já me pediram, já quiserem comprar, mas não tem jeito. Eu respeito o gosto de todo mundo, mas pra mim essa é a mais bonita de todas", afirmou Sr. Faustino.

Texto e imagens reproduzidos do site: globoesporte.globo.com/se

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Fogueira gigante é tradição em Cumbe

Foto: arquivo pessoal   

Publicado originalmente no site do Cinform, em 10 de julho de 2018

Fogueira gigante é tradição em Cumbe   

Com 16 metros de altura, ela pode ser uma das maiores do mundo

Por Thayná Ferreira 

Está errado quem pensa que só porque os festejos juninos passaram ainda não tem festa no estado. No município de Cumbe, médio sertão sergipano, a tradição ficou acesa, literalmente. A população prestigiou um dos maiores eventos da cidade, a fogueira gigante de 16 metros, esta que pode ser uma das maiores do mundo, que foi acesa nessa última segunda-feira, 9, na praça da igreja matriz do município.

A fogueira, que é feita com lenha seca, 
cresce a cada ano. 
Foto: arquivo pessoal

Criada nos anos 90 pelo lavrador Eliezer José dos Santos, de 86 anos, a fogueira iniciou sem pretensão, com um formato pequeno e ao longo do tempo foi ganhando proporções inusitadas. Hoje, para ser montada, é necessário o auxílio de populares. A fogueira se transformou em um atrativo no período junino e o lavrador viu a necessidade de torná-la um evento em Cumbe.


O seu filho, Ronaldo Meneses, que também é lavrador, atualmente é o organizador da festa. Ele conta que o evento mobiliza pessoas não só do estado, como de todo o país. Ronaldo conta que o processo de montagem da fogueira se dá em dois dias, 23 e 24 de junho, das 7h às 18h, com uma equipe de 20 pessoas.

Seu Eliezer com sua família.

“Montamos a fogueira no São João e acendemos no dia 09 de julho, sempre às 20h. Mas durante o dia temos atividades lúdicas, como o quebra pote e o pau de sebo. Temos apresentações de quadrilhas. Esse ano vamos contar com uma daqui do município e outra da cidade de Porto da Folha. Quando a fogueira é acesa temos show pirotécnico e em seguida apresentações musicais”, declara.

O organizador conta que não sabe se é a maior fogueira do estado, porque não há registrou, mas fala que pretende fazê-la entrá-la no Guinness Book. “Não temos informações se ela é a maior do mundo, acreditamos que sim. Queremos que ela entre no livro dos recordes. O sonho do meu pai é que ela chegue aos 20 metros”, acredita.

Texto e imagens reproduzidos do site: cinform.com.br

terça-feira, 10 de julho de 2018

A velha e atual “questão” de limites


Publicado originalmente no site JLPolitica, em 08 de Jul de 2018

OPINIÃO - A velha e atual “questão” de limites

Por Terezinha Alves de Oliva*

Têm sido divulgadas notícias de que os limites territoriais entre Sergipe e Bahia estão sendo revisados. A divulgação tem diferentes tons: nas redes sociais, há algumas manifestações que expressam preocupação; na imprensa falada e escrita, as notícias enaltecem o caráter amistoso da discussão ora encetada, a garantia de que não haverá perdas, de que se trata apenas do reconhecimento oficial de uma realidade já dada.  Tal cuidado, que parte principalmente dos condutores do processo, remete a temores que ficaram na memória de antigas gerações.

Este tema, o dos limites territoriais, foi motivo de muitos problemas para Sergipe no passado.  Remonta ao Império, quando se procurou solucionar disputas territoriais com as Províncias de Alagoas (sobre Brejo Grande) e da Bahia, desde a primeira metade do século XIX.  Proclamada a República, a assim chamada “questão de limites” veio à tona e foi tratada por Felisbelo Freire, na sua História de Sergipe (1891) e na História Territorial do Brasil (1906), tendo este autor, como Deputado Federal por Sergipe, apresentado, em 1891, proposta de revisão das fronteiras com a Bahia, fundamentando-se nos direitos históricos de Sergipe (uti possidetis), e argumentando uma razão de justiça, uma vez que o território sergipano restara o menor da Federação.

A reivindicação de direitos de Sergipe sobre um “terreno que medeia do Pambú ao rio Itapicuru e do Vaza Barris ao rio Pontal”, mereceu avaliação de José de Oliveira Campos e de Francisco Vicente Vianna, encarregados pelo governo da Bahia de estudarem a proposta do deputado sergipano. Os estudiosos a consideraram uma inaceitável “invasão de mais de duas mil léguas quadradas” no território baiano, e chegaram a sugerir que se Sergipe quisesse aumentar de tamanho, procurasse unir-se a Alagoas, formando um único estado sob a denominação de “Baixo São Francisco”, escolhendo uma capital na margem daquele rio!

As delimitações com a Bahia sempre suscitaram uma análise da questão histórica, remontando ao estatuto colonial ou à época da Emancipação Política de Sergipe. Também levaram a conflitos abertos no passado, como aconteceu com as vilas de Inhambupe, Itapicuru e Abadia, cujos habitantes solicitaram sua incorporação à Bahia e levantaram vários problemas relativos ao território da atual Indiaroba. A segunda metade do século XIX foi plena dessas questões. Na fronteira Oeste, habitantes de Simão Dias chegaram a pedir a interferência do Imperador para coibir os conflitos entre as autoridades da Bahia e as de Sergipe (1864).

Lutas de jurisdição eclesiástica, política e tributária marcaram, por mais de um século, as relações entre Sergipe e a Bahia, resultando numa contenda jurídica que produziu obras muito importantes para os estudos históricos. Em “A Capitania de Sergipe e suas Ouvidorias”, Ivo do Prado denuncia a perda de 4/5 do território sergipano, que atribui a injunções da Casa da Torre e da família Ávila, e à subserviência de autoridades eclesiásticas e judiciais aos interesses da Bahia; na “História dos limites entre Sergipe e Bahia”, Carvalho Lima Júnior defendeu a legitimidade das pretensões de Sergipe ao território compreendido entre os rios Real e Itapicuru.  Mas Sergipe não conseguiu reaver o território pretendido naquela época, nem quando, na Constituinte de 1988, o Senador Francisco Rollemberg apresentou emenda neste sentido, visando a restabelecer a fronteira histórica ao Sul.

Agora se anunciam providências para a criação de norma regulatória do limite político-administrativo entre a Bahia e Sergipe, através do uso de coordenadas geográficas e embasada nos acordos sociais existentes, o que implica a declaração das populações envolvidas. Equipes dos dois Estados têm atuado em trabalhos de campo, atingindo, do lado sergipano, os municípios de Canindé do São Francisco, Poço Redondo, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, Carira, Pinhão, Poço Verde e Simão Dias e, do lado baiano, Santa Brígida, Pedro Alexandre, Coronel João Sá e Paripiranga.

A dinâmica populacional extrapola fronteiras estabelecidas. A movimentação de pessoas para trabalhar, para estudar, para vender e comprar ou ainda em busca de serviços de saúde, estabelece fluxos que vão se consolidando para além das definições territoriais. É isso que configura os “acordos sociais” a serem levados em conta. Mas todas essas relações se inscrevem na história que um dia ligou inextrincavelmente, os destinos de Sergipe e da Bahia.

* Historiadora, professora emérita da UFS, oradora do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

Tobias Barreto e a Educação da Mulher


Publicado originalmente no blog Academia Literária de Vida, em 07/06/2018

Tobias Barreto e a Educação da Mulher

Dia 7 de junho, marca a data natalícia de Tobias Barreto de Menezes, o genial sergipano nascido na Vila de Campos,  (hoje cidade Tobias Barreto) Sergipe, em 1839.  Faleceu no dia 26 de junho de 1889, em Pernambuco.

Tobias Barreto e a Educação da Mulher, do livro "Tobias Barreto "- autoria de Luiz Antonio Barreto -1994.

Parte da vida cinquentenária de Tobias Barreto foi dedicada à educação. Ainda em Sergipe, em Lagarto e Itabaiana, foi professor de Latim, com uma titulação passada para toda a Província. No Recife dedicou-se ao magistério particular e tentou, por três vezes, o ingresso no ensino secundário: duas vezes concorreu à cadeira de Latim, do Curso Preparatório da Faculdade de Direito, perdendo para seu conterrâneo e parente, o padre Felix Vasconcelos Barreto, e uma vez à cadeira de Filosofia do Ginásio Pernambucano, passando em primeiro lugar, mas sendo preterido pelo Governo, que deu preferência ao professor José Soriano de Souza, que obteve o segundo lugar, pelo fato de ser casado e Tobias solteiro. Nos seus jornais, dedicou atenção especial ao problema da educação da mulher e, em geral, à condição feminina, como um pioneiro ainda hoje atual com sua visão inovadora e algumas vezes revolucionária. Seu trabalho sobre A Alma da Mulher, de comentário a Die Psyche des Weibes, de Adolfo Jellinek, judeu alemão, pregador da sinagoga de Berlim, editado em 1873, é um libelo em favor da educação feminina, tema familiar ao autor nº. 129, na Assembleia Provincial de Pernambuco, criando o Partenogógio[M1]  do Recife.

Quando deputado, representando o Partido Liberal e o eleitorado de Escada, no Biênio 1878/79, Tobias Barreto se envolveu na discussão parlamentar, principalmente com o médico Malaquias Antônio Gonçalves, em defesa de um auxilio, a ser dado pelo Governo da Província, no valor de cem mil réis, para que Josefa Felisbela de Oliveira pudesse estudar medicina nos Estados Unidos ou na Suíça. Além de defender a concessão de auxílio, Tobias Barreto apresentou uma emenda em favor em favor de outra moça, Maria Amélia Florentina, para o mesmo estudo no exterior. No calor da discussão, Tobias Barreto refutou, um a um, os argumentos utilizados pelo Dr. Malaquias para vetar o auxílio, todos eles inferiorizando a mulher. 

Para realçar sua defesa, Tobias Barreto chama a atenção do Plenário e especialmente do Dr. Malaquias, dizendo: “Nós sabemos da grande importância, do grande desenvolvimento, que tem tido a doutrina da Seleção Natural de Darwin, sobretudo reformada e engrandecida em mais de um ponto por Ernest Haeckel. Pois bem: entre as leis da conformação ou adaptação indireta, de que fala Haeckel, está em primeiro lugar aquela que ele chama da adaptação individual, segundo a qual os indivíduos de uma mesma espécie, nunca são totalmente iguais.” E arremata: “E sendo assim, como querer-se, comparando a mulher com o homem, deduzir de pequenas diferenças no órgão do pensamento uma enorme distância entre um e outro na capacidade intelectual? É inadmissível.” Tobias Barreto ganhara a questão e sua emenda, aprovada, garantia a Maria Amélia Florentina o direito ao auxílio da sua Província para estudar medicina no exterior.

Enquanto discutia, em várias sessões legislativas, o Projeto 61/79 dos auxílios, Tobias Barreto apresentou, debaixo de longas justificativas, o seu Projeto de Lei, nº. 129, criando o Partenogógio do Recife, estabelecimento público, de cultura literária e profissional para moças, dividido em duas Escolas: Escola Média, ao modelo alemão das Mittelschuele, e a Escola Superior, a Honere Schule. O Projeto lido na sessão de 28 de março de 1879 e aprovado em primeira discussão no dia 2 de maio do mesmo ano. O que movia Tobias, segundo ele próprio, era os ensinamentos de Frederico Diesterweg, que com Pestalozzi e Froebel, integrava uma tríade de pedagogos modernos, ao dizer que “A liberdade do povo, e a felicidade do povo, pela cultura do povo, não pode ser conseguida por meio de instrução parcial, ministrada a um só sexo.”

A novidade não estava na criação de uma escola feminina, pois já existia em Recife a Escola Normal, atendendo, naquele ano de 1879, a 42 alunas. Mas, sim, na criação de uma Escola Superior, ao lado de uma Escola Média, pois equivaleria a libertar a mulher daquela condição de portadora de uma certa cultura da vaidade, formada por um pouco de música, um pouco de desenho e pelo gaguejar de uma ou duas línguas estrangeiras, como fixa, em sua justificativa, o próprio Tobias, abonado por Eduardo von Hartmann.

Quando o Projeto voltou ao Plenário da Assembleia para a segunda discussão, em 5 de março de 1880, já Tobias Barreto não era deputado, A defesa coube ao Barão de Nazaré, também signatário do Projeto, que enfrentou a reação forte do deputado Ermírio Coutinho, para quem o projeto não acautelava suficientemente a moralidade do sexo feminino. O deputado baseava-se no fato de que o Projeto autorizava, num dos seus artigos, que o Governo da Província, enquanto não dispusesse de condições para construir o Partenogógico, matriculasse as suas alunas no prédio do Ginásio Pernambucano. A proximidade das moças do Partenogógico do Recife com os poucos alunos, crianças e rapazes, do Ginásio Pernambucano representava, na visão do deputado Ermírio Coutinho, uma promiscuidade. Utilizando-se de teoria sobre a influência do clima no desenvolvimento físico e nas paixões, o crítico demove o Plenário e faz aprovar requerimento do deputado Ayres Gama, remetendo o Projeto do Partenogógico do Recife para a Comissão de Instrução Pública, de onde nunca mais voltou.

... no conjunto de sua obra, Tobias Barreto põe a mulher em lugar destacado, tanto pela ótica da poética, como da filosofia, da ciência, e do direito.

Texto e imagem reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com 

Lembranças Lagartenses de Euclides


Publicado originalmente no blog Academia Literária de Vida, em 10/06/2018

Lembranças Lagartenses de Euclides 

Li com grande avidez Garimpando Lembranças obra misto de literatura e narrativas do experiente escritor Euclides de Oliveira Santos, um passeio livre e solto na memória criativa do escriba lagartense que canta sua terra natal em prosa e verso. Ele respira o município sergipano terra de ilustrados filhos a exemplo de Sílvio Romero, Laudelino Freire, Luiz Antônio Barreto, entre outros.

Euclides, o nosso lagartense, honra o nome com o seu xará, Euclides da Cunha - engenheiro, jornalista, poeta, romancista - aquele que marcou a literatura com a frase “O sertanejo é antes de tudo um forte”. Foi dessa fortaleza que o confrade se investiu, com foco, nas páginas iniciais dessa obra lançada em 2017, quando destaca o amor pela cidade, as lembranças que guarda do Grupo Escolar Sílvio Romero aonde estudou, descreve tudo como se estivesse vivendo aquele tempo agora; com impressionante riqueza de detalhes, relembra a memória olfativa de sua meninice vinda da padaria - o cheiro de pão no forno e dos bolachões de coco - os tímpanos fazem-no recordar “o serviço de altofalante Radiofon tocando a música Sinhá Maria, de Orlando Silva, o cantor das multidões”, e também quanto ao costume de ouvir rádio, diz o ilustre escritor, em suas memórias. “Minhas primeiras lembranças, a respeito estão ligadas a um rádio “mula”, alimentado por válvulas, que meu pai ligava todas as noites depois do café, para ouvir “A voz do Brasil”. Lembro-me até como ele o desligava na hora de dormir, cobrindo-o com uma flanela vermelha”.

Suas lembranças da infância vão além: as brincadeiras de cabra-cega, os jogos de marraio com bolinhas de gude, marcha soldado e das bodegas mais frequentadas da pacata cidade sergipana. Garimpando Lembranças englobou memórias de um aprendizado único, mas que se globalizam com leitura minudente, muitos leitores vão se encontrar ou reencontrar na obra desse notável sergipano de Lagarto. Euclides transcreveu em sua obra inesquecível soneto de Bastos Tigre sob o título: Envelhecer - aqui registrarei apenas o final do soneto: “Que a neve caia! O teu ardor não mude! Mantém-te jovem, pouco importa a idade! Tem cada idade a sua juventude.”

Euclides, de Garimpando Lembranças é pedagogo, jornalista militante e, certamente não deixará leitores esperando nova obra por muito tempo. Parabéns eminente confrade, sucesso sempre, é o que lhe desejo.
____________
Por Sandra Natividade
Membro da Academia Literária de Vida e também da Academia de Letras de Aracaju.
3/maio/2018.

Texto e imagem reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com

domingo, 8 de julho de 2018

Igreja do Senhor do Bonfim,no município de Laranjeiras

Igreja do Senhor do Bonfim, vista do Alto do Bom Jesus, onde fica a Igreja 
Bom Jesus Navegantes, em Laranjeiras, cidade histórica de Sergipe.
Foto: Eduardo Vessoni
Reproduzida do viagemempauta.com.br

Centro comercial da cidade de Aracaju





Fotos reproduzidas do blog: antiguidadecolecoeseartes.blogspot.com
De: Waldemar Neto

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Aniversário do Colégio de Aplicação da UFS (1959 - 2018)

Dom Luciano Cabral Duarte - Fundador do Ginásio de Aplicação da 
Faculdade de Filosofia  de Sergipe (década de 1950). 
Fonte: Centro de Memória do Colégio de Aplicação da UFS - Cemdap

Professora Rosália Bispo - primeira diretora do Ginásio de Aplicação (1960).
 Fonte: Centro de Memória do Colégio de Aplicação da UFS - Cemdap

Alunos do Colégio de Aplicação na década de 1970, no pátio do prédio  da Faculdade
de Filosofia de Sergipe, rua de Campos em Aracaju. 
Fonte: Centro de Memória do Colégio de Aplicação da UFS - Cemdap 

 Alunos do Colégio de Aplicação. Aspecto sala de aula na antiga sede. 
Prédio da FCFS  (década de 1970). 
Fonte: Centro de Memória do Colégio de Aplicação da UFS - Cemdap 

Desfile na Abertura dos Jogos da Primavera, início da década de 1980. 
Fonte: Centro de Memória do Colégio de Aplicação da UFS - Cemdap

Escudo do Colégio de Aplicação da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. 
Fonte: Centro de Memória do Colégio de Aplicação da UFS - Cemdap

Publicado originalmente no Facebook/Joaquim Tavares da Conceição, em 30/06/2018

Aniversário do Colégio de Aplicação da UFS (1959 - 2018) 

Hoje (30.06.2018) o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe completa 59 anos de existência!

Em 30 de junho de 1959, por procuração de Dom José Vicente Távora, Bispo da Diocese de Aracaju e presidente da Sociedade Sergipana de Cultura – sociedade pertencente à Arquidiocese de Aracaju da Igreja Católica –, o Monsenhor Luciano José Cabral Duarte, fundou o Ginásio de Aplicação, com a finalidade de que o estabelecimento servisse como escola-laboratório para práticas didáticas e pedagógicas, especialmente por meio de estágios desenvolvidos pelos graduandos da faculdade.

O estabelecimento iniciou suas atividades com 30 alunos matriculados na 1º série do primeiro ciclo do ensino secundário (curso ginasial). Em 30 de dezembro de 1965, o Ginásio de Aplicação passou a ser denominado de Colégio de Aplicação em decorrência da autorização da Inspetoria Seccional do Ensino Secundário, órgão do Ministério da Educação e Cultura, para oferecer o curso colegial do antigo ensino secundário.

Com a criação da Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Faculdade de Filosofia e o Colégio de Aplicação que dela era parte integrante, foram incorporados a Fundação Universidade Federal de Sergipe por meio do Decreto-Lei nº 269, de 28 de fevereiro de 1967. Inserido na estrutura da Universidade, o Colégio de Aplicação (Codap) passou a ser um Órgão Suplementar, ligado diretamente à Reitoria. Além de permanecer exercendo as funções de ensino e de campo para a execução de estágios curriculares, o colégio também passou a desenvolver atividades de pesquisa e extensão.

No decorrer da trajetória do Colégio de Aplicação, marcada por mudanças de denominação, de local de funcionamento e de desempenho de diferentes atividades, a cultura escolar do colégio, foi marcada por diversas práticas: jornadas esportivas e culturais, jogos escolares, atividades cívicas, excursões, passeios, demonstração de experimentos, encontros de formação de professores, entre outras atividades.

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Joaquim Tavares da Conceição.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Cortejo da Baiana: Tradição Capelense






Imagens: Gabriel Nascimento

Publicado originalmente no Facebook/Governo Municipal de Capela, em 01/07/2018  
                                        
Cortejo da Baiana: Tradição Capelense anima os foliões no sábado

O Cortejo da Baiana aconteceu na tarde de sábado, 30. Uma multidão seguiu o trajeto organizado pela comissão do evento e Secretaria Municipal da Cultura e Comunicação Social, a prefeita Silvany, acompanhou todo roteiro junto aos membros da administração, conterrâneos e turistas.

O percurso foi animado pelos sons do zabumba, pífano, fogos e salvas de bacamartes. O Folguedo da Baiana percorre as ruas da cidade arrecadando prêmios e bebidas que serão somados aos brindes recolhidos na Sarandaia, que aconteceu na madrugada de 01 de junho e abriu oficialmente o período de festejos juninos do município. As prendas, recebidas nos dois folguedos, serão penduradas no Mastro, que será cortado neste domingo, 01.

Em 2018, a baiana continua sendo representativa por Joelisson Santos de Abreu. “A expectativa é grande, sinto muito orgulho em passar pelas casas dos amigos e os visitantes, dançando e espalhando alegria, arrecadando os prêmios para a nossa grande Festa do Mastro”, disse.

O que é a baiana?!

Em Sergipe, o folguedo da “Baiana” só ocorre na cidade de Capela. A Baiana surgiu em 1940, na véspera da Festa do Mastro, de uma brincadeira entre a família Melo e amigos, com a finalidade de arrecadar prêmios e bebidas para serem colocados no mastro.
É composto por um homem negro trajado de baiana- vestido branco longo e rodado, cesto na cabeça e acessórios na orelha e no pescoço.

Neste ano a Caravana da Saúde somou-se ao cortejo da Baiana, a iniciativa tem por objetivo conscientizar da importância do uso do preservativo nas relações sexuais. “Por conta do quantitativo de pessoas, da cidade e os visitantes, esta ação é importantíssima! Desejamos uma festa alegre, em paz e com segurança! Além da distribuição dos preservativos durante o cortejo, estamos também com a barraca da prevenção na praça de Eventos, fazendo está conscientização" informou Robéria Soares, coordenadora Municipal de Vigilância Epidemiológica

Com informações: SECOM/Capela/SE.

Texto e imagens reproduzidos da Fanpage/Facebook/Governo Municipal de Capela